O problema não é estar sozinho: é o que acontece dentro de você quando a solidão aparece

Aline Gomes • 30 de agosto de 2026

Você já se sentiu solitário mesmo estando cercado de pessoas? Já experimentou aquela sensação de vazio que parece não ter relação com a quantidade de amigos ou contatos que você tem? Essa experiência, tão comum quanto angustiante, é o ponto de partida para uma reflexão importante. A solidão não é sobre a ausência de pessoas ao redor, mas sobre algo que acontece dentro de você quando a desconexão emocional se instala. E a ciência, especialmente a partir da Terapia Comportamental Dialética criada por Marsha Linehan, tem muito a dizer sobre isso.

 

O que a ciência mais confiável diz sobre a solidão

A solidão não é um estado de espírito passageiro ou uma escolha. Do ponto de vista biológico e psicológico, ela é um mecanismo de sobrevivência. Especialistas da Terapia Comportamental Dialética explicam que a solidão é um alarme poderoso que a natureza desenvolveu para nos impulsionar a buscar conexão . Se não sentíssemos o desconforto da solidão, seria muito mais fácil nos isolarmos completamente, o que, ao longo da evolução, colocaria nossa sobrevivência em risco.


Christine Dunkley, uma renomada especialista em DBT, descreve esse fenômeno de forma clara. A solidão é a melhor arma que a natureza tem para evitar a extinção humana. O desconforto que você sente quando está solitário não é um sinal de que há algo errado com você, mas exatamente o oposto. É um sinal de que há algo certo em você, uma parte saudável que clama por conexão . O problema não é sentir o alarme, mas sim o que fazemos com ele e como interpretamos essa dor.


A DBT, desenvolvida por Marsha Linehan, oferece um conjunto de habilidades práticas para lidar com essa dor de forma eficaz. Quatro pilares dessa abordagem são particularmente úteis quando a solidão bate à porta.


A atenção plena é a primeira ferramenta. Ela nos ajuda a sair do ciclo de pensamentos negativos e catastróficos que frequentemente acompanham a solidão. Em vez de se perder em ruminações sobre o passado ou preocupações com o futuro, a atenção plena nos ancora no momento presente. Quando a solidão aparece, você pode perceber a sensação física, a emoção, sem julgamento. É o primeiro passo para não ser controlado por ela .


A regulação emocional nos ensina a identificar e administrar as emoções intensas que surgem com a solidão. Uma técnica específica da DBT, chamada de ação oposta, é particularmente poderosa. Quando a solidão nos leva a querer nos isolar ainda mais, a ação oposta sugere fazer exatamente o contrário. Se a emoção quer que você se recolha, a ação saudável é buscar contato, mesmo que seja um pequeno gesto. É claro que isso não é fácil, mas é um passo fundamental para quebrar o ciclo do isolamento .

 

Já a tolerância ao mal-estar oferece estratégias para atravessar os momentos mais agudos de sofrimento sem tomar decisões impulsivas que possam piorar a situação. Aprender a se acalmar e a suportar a dor temporária da solidão é uma habilidade que se desenvolve com a prática. Técnicas de autocuidado, como uma respiração profunda ou uma atividade que traga conforto, fazem parte desse repertório .


E, por fim, a eficácia interpessoal. A solidão crônica pode nos fazer sentir que não temos o direito de pedir ajuda ou que somos um fardo. Essa habilidade da DBT nos dá ferramentas para expressar nossas necessidades de forma clara e respeitosa, construindo relações mais saudáveis e satisfatórias. A técnica DEAR MAN, por exemplo, é um guia prático para fazer pedidos e estabelecer limites de forma eficaz .


É importante saber que essas estratégias não são uma fórmula mágica e que a maioria dos estudos sobre DBT foi conduzida em países ocidentais, o que pode influenciar a forma como os resultados se aplicam a outras culturas . Além disso, grande parte das pesquisas acompanha os participantes por um período relativamente curto, e ainda não se sabe com exatidão se todos os efeitos positivos se mantêm por mais de dois anos . Outro ponto fundamental é que a resposta ao tratamento é individual. A ciência mostra que cerca de uma em cada três pessoas pode não ter o benefício esperado com uma única abordagem. Por isso, a jornada de cada um é única e pode exigir diferentes combinações de estratégias.

 

Quando a solidão é sobre autocontrole

A psicóloga Marsha Linehan, ao criar a DBT, focou inicialmente em pessoas com grande desregulação emocional e impulsividade. No entanto, uma variação dessa terapia, chamada de Terapia Comportamental Dialética Radicalmente Aberta (RO-DBT), desenvolvida por Thomas Lynch, aborda o extremo oposto: a solidão que vem do excesso de controle .

Muitas pessoas que sofrem de solidão profunda não se encaixam no perfil de alguém com dificuldade de controlar as emoções. Elas são, na verdade, excessivamente controladas, rígidas e perfeccionistas. Podem ser vistas como bem-sucedidas, disciplinadas e lógicas, mas por dentro sentem um enorme vazio e uma desconexão emocional paralisante .

A RO-DBT propõe que o problema não é a falta de controle, mas sim um excesso dele. O foco deixa de ser "regular a emoção" e passa a ser "aumentar a conexão social". A teoria por trás dessa abordagem sugere que o bem-estar psicológico a longo prazo não é alcançado apenas pelo equilíbrio emocional interno, mas principalmente pela sensação de pertencimento e intimidade com outras pessoas.


Para essas pessoas, a solidão não vem da ausência de pessoas, mas da dificuldade em se expressar de forma espontânea e aberta. Elas podem ter um medo profundo de serem julgadas ou de se sentirem vulneráveis, o que as leva a esconder suas emoções atrás de uma fachada de autocontrole. A RO-DBT utiliza habilidades que vão desde a postura corporal até a expressão facial para ativar regiões cerebrais ligadas à sensação de segurança social. O objetivo é que a pessoa aprenda a se "sinalizar" de forma mais aberta e flexível, algo essencial para construir laços íntimos e fazer parte de um grupo .

 

O que a ciência ainda não sabe

Apesar dos avanços, a ciência ainda tem lacunas importantes sobre a solidão. A maior parte das pesquisas se concentra em populações ocidentais, e é necessário investigar como a cultura influencia a experiência e o tratamento da solidão. Além disso, a maioria dos estudos tem um acompanhamento de curto prazo, e não se sabe ao certo se os benefícios das intervenções, como a DBT, se mantêm por anos.


Também não há um consenso sobre qual a melhor forma de medir a solidão na prática clínica, e ainda se investiga como fatores biológicos, como a genética e o sistema nervoso, interagem com o ambiente social para gerar ou perpetuar a solidão. É um campo em constante evolução, e novas descobertas podem trazer perspectivas ainda mais precisas e personalizadas para cada indivíduo.

 

Como isso se traduz no dia a dia?

Compreender a solidão como um mecanismo biológico e emocional, e não como um defeito de caráter, é o primeiro passo para lidar com ela de forma mais saudável. Em vez de se culpar ou se esconder, você pode começar a perguntar a si mesmo: o que essa dor está tentando me dizer? Ela pode estar te lembrando da sua necessidade humana fundamental de conexão.


Aplicar as habilidades da DBT no dia a dia significa, na prática, reconhecer o sentimento sem julgamento, respirar fundo e, talvez, dar um pequeno passo em direção ao outro. Isso pode ser uma conversa com um amigo, a participação em uma atividade em grupo ou simplesmente permitir-se sentir a emoção sem tentar suprimi-la. Não se trata de eliminar a solidão para sempre, mas de aprender a conviver com ela de uma forma que não te paralise.

 

Perguntas Frequentes

A solidão é a mesma coisa que estar sozinho? Não. Estar sozinho é um estado físico de isolamento social. A solidão é uma experiência emocional subjetiva de desconexão. Você pode estar sozinho e não se sentir solitário, e pode estar cercado de pessoas e se sentir profundamente solitário.



Sentir solidão significa que sou uma pessoa carente ou fraca? Absolutamente não. A ciência mostra que a solidão é um mecanismo biológico de sobrevivência. Sentir dor quando se está desconectado é um sinal de saúde, não de fraqueza.


Por que a solidão dói tanto fisicamente? Estudos mostram que a dor da rejeição social ativa as mesmas regiões cerebrais que a dor física. O cérebro processa a desconexão social como uma ameaça à sobrevivência, o que gera um sofrimento real.


Como posso saber se minha solidão é um problema que precisa de ajuda profissional? Se a solidão é persistente, interfere na sua capacidade de trabalhar, estudar ou se relacionar, e está associada a outros sintomas como tristeza profunda, desesperança ou pensamentos negativos recorrentes, é fundamental buscar a avaliação de um psicólogo ou psiquiatra.


A Terapia Comportamental Dialética funciona para qualquer tipo de solidão? A DBT e suas variações, como a RO-DBT, têm se mostrado eficazes para diferentes perfis de pessoas que sofrem com a solidão. A DBT tradicional é excelente para quem tem dificuldade em regular emoções intensas e age de forma impulsiva, enquanto a RO-DBT é mais indicada para quem tem um perfil de excesso de autocontrole e rigidez. Um profissional de saúde mental pode ajudar a identificar a abordagem mais adequada para o seu caso.


O que posso fazer agora para lidar melhor com a solidão? Comece com pequenos passos. Pratique a atenção plena para perceber o sentimento sem se deixar levar por ele. Tente a ação oposta: se a vontade é de se isolar, faça um esforço para um breve contato social. E, acima de tudo, lembre-se de que a solidão é um sentimento passageiro, e não uma definição de quem você é.

 

Conclusão

A solidão, embora dolorosa, não é um sinal de que há algo fundamentalmente errado com você. Pelo contrário, ela é um testemunho da sua humanidade e da sua necessidade inata de conexão. Compreender seus mecanismos, reconhecer que ela tem uma função biológica e aprender habilidades para lidar com ela, como as oferecidas pela Terapia Comportamental Dialética, pode transformar sua relação com esse sentimento. Se você se reconhece nessa jornada, saiba que a ciência tem ferramentas valiosas para oferecer, e que o primeiro passo muitas vezes é simplesmente o de se permitir olhar para a solidão com mais compaixão e menos julgamento. E, acima de tudo, se a dor se tornar insuportável, não hesite em buscar o apoio de um profissional de saúde mental.

 

Conteúdo produzido com finalidade educativa pela Aline Gomes Psicóloga CRP: 06/190242.

Por Aline Gomes • 13 de outubro de 2026
Título Novo
Por Luis Guilherme Labinas • 12 de outubro de 2026
Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um transtorno de saúde mental caracterizado por instabilidade emocional, relacionamentos interpessoais turbulentos, autoimagem flutuante e comportamentos impulsivos. As pessoas com TPB frequentemente sentem emoções de forma muito intensa e tendo dificuldade extrema em regulá-las. Um pequeno comentário pode ser interpretado como rejeição completa, desencadeando raiva ou desespero severo. Relacionamentos são frequentemente apaixonados no início mas deterioram rapidamente quando expectativas não são atendidas. TPB é frequentemente confundido com depressão ou transtorno bipolar, mas é distinto. Enquanto bipolar envolve episódios de humor que duram semanas ou meses, TPB envolve mudanças rápidas de humor que podem ocorrer várias vezes por dia. As pessoas com TPB sofrem intensamente e frequentemente engajam-se em comportamentos autodestrutivos como automutilação, overdose, ou comportamentos de risco, geralmente como forma de regular emoções ou procurar alívio do sofrimento. Os Critérios Principais do BPD Medo intenso de abandono, real ou imaginado, é central. Você pode ir para extremos para evitar separação, desde ficar em relacionamentos prejudiciais até ameaçar automutilação se alguém tentar deixá-lo. Esse medo de abandono é tão poderoso que frequentemente se torna uma profecia autossatisfatória. Seus comportamentos de desespero alienam as pessoas que você ama, levando ao abandono que tanto você temia. Relacionamentos instáveis fluem entre idealização e desvalorização. Alguém que você ama profundamente um dia é visto como completamente mau no dia seguinte, frequentemente com base em uma pequena ação ou malentendimento. Você pode enviar mensagens a alguém dizendo que o ama e poucas horas depois que o odeia. Autoimagem instável significa que você não tem um senso sólido de quem você é. Seus valores, interesses, carreiras e até sexualidade podem fluir significativamente. Isso deixa você se sentindo vazio ou perdido, buscando identidade através de outras pessoas. Comportamento impulsivo em pelo menos dois domínios de risco (gastos, abuso de substâncias, direção imprudente, binge eating) é comum. Comportamentos autodestrutivos como automutilação ou pensamentos suicidas frequentemente ocorrem em resposta a ser rejeitado ou frustrado. Como TPB se Desenvolve TPB frequentemente tem raízes em trauma e invalidação. Muitas pessoas com Borderline cresceram em ambientes onde seus sentimentos não foram validados. Se você chorou e foi ridicularizado ao invés de consolado, aprendeu que suas emoções não eram aceitáveis. Se você experienciou abuso ou negligência, aprendeu que as pessoas não eram seguras ou confiáveis. Essas experiências tempranas resultam em uma capacidade prejudicada de regular emoções e confiar nos outros. FAQ — Perguntas Frequentes sobre Transtorno de Personalidade Borderline P: TPB é o mesmo que Transtorno Bipolar? R: Não. Enquanto ambos envolvem instabilidade emocional, são bem diferentes. Bipolar envolve episódios de mania/hipomania alternados com depressão, durando semanas. TPB envolve reatividade emocional rápida a eventos externos, com humor mudando várias vezes por dia. Bipolar responde bem a estabilizadores de humor. TPB requer psicoterapia como tratamento primário, embora medicação possa ajudar com sintomas específicos como impulsividade. P: Pessoas com TPB são violentas? R: A maioria das pessoas com TPB não é violenta. No entanto, devido à impulsividade e dificuldade em regular raiva, elas podem engajar-se em comportamentos agressivos durante momentos de desespero emocional extremo. A violência é mais frequentemente direcionada para si mesmo (automutilação, tentativas de suicídio) que para outros. Estereótipos sobre TPB ser "perigoso" são prejudiciais e imprecisos. P: Qual é o melhor tratamento para TPB? R: Psicoterapia é o tratamento primário. Terapia Comportamental Dialética (DBT) foi especificamente desenvolvida para TPB e é particularmente eficaz. Envolve treinamento em regulação de emoções, tolerância de angústia, mindfulness, e eficácia interpessoal. Medicação pode ajudar com sintomas depressivos, impulsividade, ou raiva, mas não é o tratamento principal. P: Pessoas com TPB podem ter relacionamentos saudáveis? R: Sim, mas requer trabalho. Com tratamento adequado, particularmente DBT, muitas pessoas com BPD aprendem a regular suas emoções, comunicar seus sentimentos de forma mais eficaz, e ter relacionamentos mais estáveis. Parceiros também precisam entender TPB e aprender a não tomar pessoalmente comportamentos que resultam do transtorno, como ataques verbais durante crises emocional. P: É possível superar TPB completamente? R: Sintomas de TPB podem melhorar significativamente com tratamento consistente. Pesquisa mostra que com DBT intensiva, muitas pessoas experimentam redução duradoura em sintomas. Porém, uma predisposição a instabilidade emocional pode permanecer, requerindo gerenciamento contínuo. Não pense em "cura" mas em "recuperação", onde você pode viver uma vida plena apesar de TPBB. P: Se alguém com Borderline ameaçar suicídio, devem sempre ser levados a sério? R: Sim. Pessoas com TPB têm maior risco de suicídio do que população geral. Enquanto alguns podem fazer ameaças para procurar atenção, isso não significa que devem ser ignoradas. Toda ameaça deve ser levada a sério. Se alguém com BPD expressa ideação suicida, procure ajuda profissional ou ligue para uma hotline de prevenção de suicídio. Conclusão TBP é um transtorno complexo que causa sofrimento intenso para aqueles que o têm e para as pessoas que os amam. É frequentemente malcompreendido e estigmatizado. Porém, com tratamento adequado, particularmente DBT, pessoas com Borderline podem aprender a regular suas emoções, manter relacionamentos mais estáveis, e construir vidas significativas. Procurar ajuda profissional é essencial. Borderline é tratável, e recuperação é possível. Conteúdo produzido com finalidade educativa pelo Dr. Luís Guilherme O. Labinas - Psiquiatra CRM 145.324 RQE 60.777. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica.
Mulher em pé sobre uma balança em casa, pensativa, representando a dúvida sobre antidepressivo e gan
Por Luis Guilherme Labinas • 12 de outubro de 2026
Entre todos os receios de quem vai iniciar um antidepressivo, o medo de engordar está entre os mais frequentes. Para muitas pessoas, ele pesa tanto que chega a adiar a decisão de começar o tratamento, mesmo quando o sofrimento já é grande. E esse medo merece ser levado a sério, porque a relação com o corpo também faz parte da saúde mental. A resposta curta é que depende. Depende do medicamento, da pessoa, do tempo de uso e até da própria doença que está sendo tratada. Neste artigo, explicamos o que se sabe sobre essa relação e por que a informação correta ajuda a tomar decisões mais tranquilas. Nem Todo Antidepressivo Age da Mesma Forma no Peso Os antidepressivos formam um grupo grande e diverso. Alguns são mais associados a aumento de apetite e de peso, como a mirtazapina, a paroxetina e os antidepressivos tricíclicos. Outros costumam ter efeito mais neutro, e há opções associadas até a uma pequena redução de peso em algumas pessoas, como a bupropiona. Mesmo dentro de um mesmo medicamento, a resposta varia muito de pessoa para pessoa. Por isso, generalizações como "todo antidepressivo engorda" não correspondem ao que mostram os estudos. A Depressão Também Mexe no Peso Um ponto que costuma ficar de fora da conversa é que a própria depressão altera o apetite. Há quem perca peso durante o adoecimento e quem coma mais em busca de conforto. A ansiedade também interfere na alimentação, no sono e no nível de atividade física. Quando o tratamento funciona e o apetite volta ao normal, a pessoa pode recuperar o peso que tinha perdido. Isso nem sempre é efeito direto do remédio, e sim um sinal de que o organismo está voltando ao seu funcionamento habitual. Por Que Alguns Medicamentos Interferem no Apetite Alguns antidepressivos atuam em receptores envolvidos na saciedade e no metabolismo, como os de histamina e de certos tipos de serotonina. Isso pode aumentar a fome, a vontade de comer doces ou reduzir a sensação de estar satisfeito. Em outros casos, o ganho está relacionado à sonolência e à menor disposição para se movimentar. Esses efeitos geralmente se desenvolvem ao longo de meses, e não nos primeiros dias. Acompanhar o peso de forma tranquila durante o tratamento ajuda a identificar mudanças cedo. O Que Fazer se o Peso Começar a Mudar O mais importante é não interromper o tratamento por conta própria. Parar de repente pode trazer sintomas de descontinuação e o retorno da depressão ou da ansiedade, o que costuma ser mais prejudicial do que o ganho de peso em si. O caminho é levar essa preocupação para a consulta. O médico pode avaliar se a mudança tem relação com o medicamento, revisar outras causas, como alterações hormonais, e discutir alternativas. Alimentação equilibrada, sono regular e atividade física também ajudam, e o acompanhamento nutricional pode ser um aliado importante. Perguntas Frequentes Todo antidepressivo engorda? Não. Alguns são mais associados ao ganho de peso, outros são considerados neutros e há aqueles que podem até reduzir o peso em algumas pessoas. Existe antidepressivo que emagrece? Algumas opções estão associadas a pequena perda de peso, mas antidepressivo não é remédio para emagrecer. A escolha precisa considerar o quadro psiquiátrico, e não apenas o peso. O ganho de peso acontece logo no início? Geralmente não. Quando ocorre, costuma ser gradual, ao longo de meses de uso. Se eu engordar, posso trocar de remédio sozinho? Não. Qualquer troca deve ser feita com orientação médica, porque envolve riscos de descontinuação, interações e perda do efeito. A atividade física ajuda? Sim. Além de ajudar no controle do peso, o exercício tem efeito positivo comprovado sobre o humor e a ansiedade.  Devo deixar de tratar a depressão por medo de engordar? Esse medo deve ser discutido na consulta antes de qualquer decisão. Existem estratégias e opções que permitem cuidar da saúde mental e do corpo ao mesmo tempo. Conclusão A relação entre antidepressivos e peso existe, mas é bem menos simples do que parece. Ela varia conforme o medicamento, a pessoa e o próprio curso da doença. Falar abertamente sobre esse receio com o médico permite escolhas mais adequadas e evita que o medo impeça um tratamento que pode transformar a qualidade de vida. Conteúdo produzido com finalidade educativa pelo Dr. Luís Guilherme O. Labinas - Psiquiatra CRM 145.324 RQE 60.777. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica.
Por Luis Guilherme Labinas • 8 de outubro de 2026
Transtorno Bipolar é um transtorno de humor onde você experimenta episódios de humor elevado (mania ou hipomania) alternados com episódios de humor deprimido (depressão). Não é simplesmente estar de bom humor um dia e mal-humorado o próximo. Os episódios duram dias ou semanas, e os mudanças de humor são severos o suficiente para prejudicar o funcionamento. Durante episódios maníacos, você pode sentir-se invencível, gastar dinheiro recklessly, fazer decisões impulsivas com consequências duradouras, ou ter pouca necessidade de sono. Durante episódios depressivos, você pode ser incapaz de sair da cama, ter pensamentos suicidas, ou sentir-se tão vazio que a vida não parece valer a pena. Bipolar é frequentemente confundido com depressão porque os episódios depressivos são geralmente mais longos e notáveis do que os episódios de mania. Muitas pessoas são diagnosticadas com depressão e tratadas apenas com antidepressivos, o que pode na verdade piorar o bipolar ao desencadear ciclos de mania. O diagnóstico correto é crítico porque o tratamento é diferente. Os Diferentes Tipos de Bipolar Transtorno Bipolar I é caracterizado por episódios de mania plena, onde o humor é tão elevado e o comportamento tão alterado que você pode ser hospitalizado ou correr risco significativo. Durante a mania, você pode dormir apenas 2-3 horas e não se sentir cansado, suas ideias fluem rapidamente, você fala muito e rápido, e pode se engajar em comportamentos de risco como gastos excessivos, infidelidade, ou abuso de substâncias. Transtorno Bipolar II é caracterizado por hipomania, que é uma versão menos severa de mania. Você ainda tem mood elevado e aumento de energia, mas não necessariamente ao ponto de prejudicar completamente o funcionamento ou exigir hospitalização. Os episódios depressivos no Bipolar II são frequentemente mais severos que no Bipolar I, causando mais incapacidade. Ciclotimia é uma forma mais leve onde você experencia flutuações de humor significativas mas não atendem completamente aos critérios de episódios maníacos ou depressivos. Como Bipolar Afeta Relacionamentos e Carreira Relacionamentos sofrem quando você está em episódio maníaco e faz impulsivamente decisões que afetam seu parceiro. Você pode gastar dinheiro que planejou economizar, tomar decisões sobre carreira sem discussão, ou se engajar em comportamentos que violam confiança. Seus parceiros podem ficar confusos pelas mudanças drásticas em sua personalidade e humor, não sabendo se isso é realmente você ou o transtorno. No trabalho, episódios de depressão podem resultar em ausências, perda de produtividade, ou até perda de emprego. Episódios maníacos podem levar a decisões de carreira precipitadas ou comportamentos que prejudicam sua reputação profissional. FAQ — Perguntas Frequentes sobre Transtorno Bipolar P: Bipolar é diferente de estar de bom humor ou deprimido normalmente? R: Sim, muito diferente. Flutuações normais de humor são respostas a eventos na sua vida e geralmente durando horas ou dias. Episódios bipolares duram semanas ou meses, representam uma mudança significativa de sua personalidade e funcionamento normal, e frequentemente não têm gatilho específico. A intensidade é muito maior. Durante hipomania, você pode de repente decidir deixar seu emprego e começar um negócio sem planejamento. Estar de bom humor não faria você tomar decisões tão impulsivas. P: Posso ter apenas episódios maníacos sem depressão? R: Não. Por definição, Transtorno Bipolar envolve episódios de humor elevado e episódios de humor deprimido. Você pode ter mais episódios maníacos que depressivos ou vice-versa, mas ambos os polos devem estar presentes para o diagnóstico de Bipolar. P: Qual é o melhor tratamento para Transtorno Bipolar? R: Medicação estabilizadora de mood é o pilar do tratamento. Lítio é um dos estabilizadores mais antigos e mais estudados, extremamente eficaz para muitas pessoas. Anticonvulsivos e certos antipsicóticos também funcionam bem. A medicação correta, frequentemente em combinação, pode estabilizar seu humor e prevenir episódios. Psicoterapia ajuda você a entender seu padrão de emoções, identificar sinais de alerta de episódios chegando, e lidar com as consequências de past episodes. Higiene do sono é crítica porque falta de sono frequentemente desencadeia episódios maníacos. P: E se eu não quiser tomar medicação porque me deixa sem emoções? R: Essa é uma preocupação comum mas frequentemente baseada em um mal-entendido. Medicação adequada para Bipolar restaura seu mood para uma faixa saudável, não te deixa insensível. Você ainda sente alegria, tristeza e outras emoções, mas elas não são extremas. Se você realmente se sente sem emoções com medicação, a dose pode estar muito alta ou a medicação específica pode não ser a correta para você. Converse com seu psiquiatra sobre ajustes. P: Posso beber álcool se tenho Transtorno Bipolar? R: Álcool é especialmente prejudicial para pessoas com Bipolar. Ele desestabiliza o mood, interfere com medicação, prejudica o sono (que desencadeia mania), e aumenta comportamentos de risco. Muitas pessoas com Bipolar desenvolvem problemas com substâncias porque tentam automedicar-se com álcool ou drogas. É melhor evitar totalmente o álcool, ou pelo menos ser muito consciente de seus efeitos. P: Transtorno Bipolar piora com a idade? R: Isso varia. Algumas pessoas têm episódios mais frequentes ou severos com o tempo, especialmente se não estão em tratamento. Outras, com tratamento adequado, estabilizam ao longo do tempo. Conformidade consistente com medicação é chave. Períodos de vida com stress, mudanças de vida, ou falta de sono podem desencadear episódios em qualquer idade. Conclusão Transtorno Bipolar é uma condição séria que pode danificar relacionamentos, carreira e saúde se não tratada. Porém, com medicação adequada, psicoterapia e automonitoramento de sinais de alerta, muitas pessoas com Bipolar vivem vidas estáveis e satisfatórias. O diagnóstico correto é crucial, pois muitas pessoas são inicialmente diagnosticadas com depressão e tratadas inadequadamente. Se você ou alguém que ama experiencia mudanças extremas de humor, procure avaliação por um psiquiatra. Com ajuda apropriada, você pode manejar seu bipolar e viver plenamente. Conteúdo produzido com finalidade educativa pelo Dr. Luís Guilherme O. Labinas - Psiquiatra CRM 145.324 RQE 60.777. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica.
Homem conversando com um psiquiatra em consultório sobre o início do tratamento com escitalopram
Por Luis Guilherme Labinas • 8 de outubro de 2026
Quem recebe uma prescrição de escitalopram costuma chegar em casa com duas sensações ao mesmo tempo. Alívio por ter dado um passo no cuidado com a saúde mental e receio do que vem pela frente. Será que vai dar sono, será que vai mudar alguma coisa em mim, quanto tempo até sentir diferença.  O escitalopram é um dos antidepressivos mais utilizados na prática clínica, justamente pelo equilíbrio entre eficácia e tolerabilidade. Ainda assim, cada organismo reage de um jeito. Conhecer o funcionamento do medicamento ajuda a ter expectativas realistas e a reconhecer o que é adaptação e o que merece atenção. O Que é o Escitalopram O escitalopram também faz parte dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina. Ele é uma forma purificada de uma molécula mais antiga, o citalopram, e atua de maneira bastante seletiva sobre a serotonina, com pouca ação sobre outros sistemas. Isso ajuda a explicar por que costuma ser bem tolerado. Assim como outros antidepressivos, ele não age de forma instantânea. A melhora resulta de adaptações progressivas nos circuitos cerebrais ligados ao humor, à ansiedade e à resposta ao estresse. Em Quais Situações Ele é Indicado Entre as principais indicações estão a depressão, o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno do pânico, a fobia social e o transtorno obsessivo-compulsivo. Pesquisas de neuroimagem mostram, por exemplo, mudanças em áreas cerebrais ligadas ao medo em pessoas com ansiedade social que respondem ao tratamento. A escolha do escitalopram, em vez de outra opção, leva em conta o perfil de cada paciente: sintomas predominantes, outros remédios em uso, condições clínicas, histórico familiar de resposta e preocupações com efeitos colaterais. O Que Esperar no Início Nas primeiras semanas, efeitos como náusea, dor de cabeça, alteração do sono, sudorese, boca seca e uma leve inquietação podem aparecer. Em pessoas com ansiedade, às vezes há uma sensação de piora discreta no começo, que tende a passar com a adaptação. Esses efeitos geralmente são transitórios. Se forem intensos ou persistentes, o caminho é conversar com o médico, que pode ajustar a forma de introdução do medicamento. Interromper por conta própria logo no início é uma das razões mais comuns para tratamentos que "não funcionaram". O Tempo do Tratamento A resposta costuma começar a aparecer entre a segunda e a quarta semana, com melhora mais clara entre seis e oito semanas. Depois da melhora, o tratamento normalmente continua por alguns meses para consolidar o resultado e reduzir o risco de recaída. O tempo total é individual. Pessoas com vários episódios anteriores, por exemplo, podem precisar de um acompanhamento mais longo. Essa decisão é revista ao longo das consultas. Cuidados Que Merecem Atenção O escitalopram pode interagir com outros medicamentos, inclusive alguns que parecem inofensivos, como certos remédios para enxaqueca, para dor ou suplementos. Em pessoas com algumas condições cardíacas, o médico pode solicitar avaliação complementar. Por isso, é importante informar tudo o que você usa. Pensamentos de autolesão que surgem ou pioram, agitação intensa, febre com tremores e rigidez, confusão mental ou sensação de euforia fora do habitual são sinais para buscar o médico imediatamente ou um pronto atendimento. Perguntas Frequentes Escitalopram engorda? Algumas pessoas notam mudança de peso ao longo do tratamento, outras não. É um ponto a acompanhar nas consultas, sem alarmismo e sem decisões isoladas. Escitalopram dá sono? Pode dar sonolência em algumas pessoas e insônia em outras, principalmente no início. O horário de uso e outros ajustes devem ser definidos com o médico. Escitalopram e sertralina são a mesma coisa? São da mesma família, mas são moléculas diferentes, com perfis próprios de interação e de efeitos colaterais. Um não substitui o outro sem orientação. Posso parar quando melhorar? A melhora indica que o tratamento está funcionando. A retirada precisa ser planejada com o médico para evitar sintomas de descontinuação e recaídas. O escitalopram tira a libido? Pode acontecer. É um efeito conhecido e manejável, que vale ser conversado sem constrangimento. O escitalopram serve para ansiedade? Sim. Ele é bastante utilizado em transtornos de ansiedade, sempre após avaliação que confirme a indicação. Conclusão O escitalopram é um medicamento eficaz e geralmente bem tolerado, mas seu benefício depende de tempo, constância e acompanhamento. As primeiras semanas são uma fase de adaptação, não de julgamento final. Com informação e diálogo aberto com o médico, o tratamento tende a ser mais seguro e mais tranquilo. Conteúdo produzido com finalidade educativa pelo Dr. Luís Guilherme O. Labinas - Psiquiatra CRM 145.324 RQE 60.777. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica.
Por Kety Melo • 7 de outubro de 2026
Corpo em alerta constante: por que sua mente não desliga mesmo quando você tenta descansar.
Mulher segurando um copo de água e um comprimido, refletindo sobre o início do tratamento com sertra
Por Luis Guilherme Labinas • 5 de outubro de 2026
A sertralina é um dos antidepressivos mais prescritos no Brasil e no mundo. Por isso mesmo, é também um dos mais pesquisados no Google, quase sempre por alguém que acabou de sair da consulta com a receita na mão e uma porção de dúvidas na cabeça. Para que ela serve, se dá sono, se engorda, quanto tempo demora para funcionar.  Essas perguntas são legítimas. Começar um tratamento psiquiátrico mexe com expectativas e medos, e entender o que está acontecendo no organismo costuma trazer segurança. Neste artigo, explicamos de forma clara como a sertralina age, em quais situações ela costuma ser indicada e o que é esperado nas primeiras semanas de uso. O Que é a Sertralina e Como Ela Age A sertralina pertence ao grupo dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, conhecidos pela sigla ISRS. De forma simplificada, ela aumenta a disponibilidade de serotonina na comunicação entre os neurônios, um neurotransmissor envolvido na regulação do humor, da ansiedade, do sono e do apetite. O efeito clínico, porém, não vem desse aumento imediato. O que melhora os sintomas é a adaptação gradual do cérebro ao longo de semanas, com mudanças nos receptores e na forma como os circuitos emocionais processam informações. É por isso que o remédio não funciona como um analgésico, que alivia em minutos. Para Que Serve a Sertralina A sertralina tem eficácia demonstrada em diversos quadros. Entre os principais estão a depressão, o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo, o transtorno de estresse pós-traumático, a fobia social e o transtorno disfórico pré-menstrual. A indicação, no entanto, nunca depende só do diagnóstico. O médico considera o histórico de tratamentos anteriores, outras condições de saúde, medicamentos em uso, sensibilidade a efeitos colaterais e as preferências do próprio paciente. Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem receber tratamentos diferentes, e isso é sinal de cuidado individualizado, não de incoerência. O Que Pode Acontecer nas Primeiras Semanas Nos primeiros dias, algumas pessoas sentem efeitos passageiros enquanto o organismo se adapta. Os mais comuns são náusea, desconforto intestinal, dor de cabeça, alterações no sono (insônia em alguns, sonolência em outros) e uma sensação de inquietação ou ansiedade um pouco maior no começo. Esses sintomas costumam ser leves e tendem a diminuir em uma ou duas semanas. Se forem intensos, persistentes ou vierem acompanhados de algo que preocupe, o ideal é conversar com o médico que prescreveu, em vez de interromper por conta própria. Muitas vezes um ajuste simples resolve. Quanto Tempo Leva Para Fazer Efeito Algumas melhoras aparecem antes do humor, como o sono e a energia, ainda nas primeiras semanas. A melhora mais consistente da tristeza e da ansiedade costuma ficar evidente entre quatro e oito semanas, e o efeito completo pode levar um pouco mais. Esse intervalo exige paciência, e é aqui que muitos tratamentos são abandonados cedo demais. A sensação de que "não está fazendo nada" nas primeiras semanas é esperada e não significa que o remédio falhou. Sertralina Engorda? Dá Sono? A relação com o peso é variável. Algumas pessoas não percebem mudança, outras notam aumento do apetite ao longo dos meses, e há também quem recupere o peso que tinha perdido durante a depressão. Já o sono pode melhorar com o tempo, mas no início há quem sinta sonolência e quem sinta o oposto. Qualquer mudança que incomode merece ser levada à consulta. Existem estratégias para manejar esses efeitos, e o ajuste precisa ser feito com orientação. Sinais Que Pedem Atenção Imediata Alguns sinais não devem esperar a próxima consulta: pensamentos de autolesão ou de morte que surgem ou pioram, agitação intensa, febre com rigidez muscular e tremores, confusão mental, reações alérgicas importantes ou euforia e aceleração fora do habitual. Nesses casos, procure o médico imediatamente ou um pronto atendimento. Perguntas Frequentes A sertralina vicia? Não. A sertralina não causa dependência no sentido de vício. Interromper de forma abrupta, porém, pode provocar sintomas de descontinuação, por isso a retirada deve ser planejada com o médico. Posso tomar sertralina e beber álcool? O álcool piora a depressão e a ansiedade e pode aumentar efeitos como sonolência. O mais seguro é conversar com o seu médico sobre o seu caso específico. A sertralina muda a personalidade? Não. O objetivo do tratamento é reduzir os sintomas que estavam afastando a pessoa de quem ela é. Se você sentir embotamento emocional, vale relatar na consulta. Se eu me sentir bem, posso parar? Sentir-se bem costuma ser justamente o efeito do tratamento. A decisão de parar, e o momento certo para isso, precisa ser tomada junto com o médico. A sertralina afeta a libido? Pode afetar em algumas pessoas. É um efeito conhecido, que deve ser conversado abertamente, porque existem formas de manejo. Quanto tempo vou precisar tomar? Depende do quadro, da resposta e do histórico. Em geral, o tratamento continua por alguns meses depois da melhora para reduzir o risco de recaída. Conclusão A sertralina é um medicamento seguro, bem estudado e eficaz para muitas condições, desde que usada com acompanhamento. Entender o que esperar das primeiras semanas ajuda a atravessar a fase de adaptação com menos medo e mais clareza. Dúvidas sobre o tratamento não são sinal de desconfiança, são parte de um cuidado construído em parceria com quem prescreveu. Conteúdo produzido com finalidade educativa pelo Dr. Luís Guilherme O. Labinas - Psiquiatra CRM 145.324 RQE 60.777. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica.
Por Luis Guilherme Labinas • 5 de outubro de 2026
Quando a maioria das pessoas pensa em TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), imagina uma criança hiperativa na escola. Porém, muitos adultos têm TDAH não diagnosticado que passou despercebido na infância ou foi mascarado por outros transtornos. Um adulto com TDAH pode ser bem-sucedido profissionalmente enquanto lutar cronicamente com desorganização, procrastinação, relacionamentos instáveis e uma sensação persistente de que algo está faltando. Eles podem acreditar que são preguiçosos, irresponsáveis ou desorganizados, quando na verdade têm um transtorno neurodesenvolvimental legítimo. TDAH em adultos frequentemente se apresenta de forma diferente do que em crianças. Enquanto as crianças podem ser visivelmente hiperativas e impulsivas, adultos podem parecer calmos externamente mas estar lutando internamente com falta de atenção, impulsividade cognitiva e desorganização. O funcionamento executivo prejudicado torna difícil planejar, priorizar, iniciar tarefas e completar projetos. Essas dificuldades afetam trabalho, relacionamentos e autoestima. Os Sintomas de TDAH em Adultos Falta de atenção em TDAH de adultos significa dificuldade de concentração, especialmente em tarefas sem interesse. Você pode ler a mesma página três vezes sem reter nada. Você começa projetos mas tem dificuldade em completá-los. Seus pensamentos pulam de um tópico para outro. Você perde coisas importantes como chaves, carteira ou documentos. Você esquece compromissos ou promessas que fez. Seu carro é uma bagunça, sua casa é desorganizada, e manter-se organizado é um desafio constante. Impulsividade pode manifestar-se como falar sem pensar, interromper conversas, ou fazer compras impulsivas que seu orçamento não pode suportar. Você pode ser impulsivo em decisões de relacionamento ou mudanças de carreira. Há uma tendência a buscar estímulo e excitação porque seu cérebro pode estar subdestimulado. Hiperatividade em adultos frequentemente é mais interna que externa. Você pode sentir uma inquietação constante, dificuldade em ficar parado, ou uma sensação de que precisa estar sempre fazendo algo. Você pode ser impaciente, irritado facilmente quando as coisas são lentas, ou ter dificuldade em relaxar. Como TDAH Não Diagnosticado Afeta a Vida No trabalho, TDAH causa problemas de produtividade, atenção a detalhes e cumprimento de prazos. Você pode ser inteligente e criativo mas parecer desorganizado ou não engajado. Relacionamentos sofrem porque você esquece datas importantes, é impulsivo em discussões, ou tem dificuldade em prestar atenção quando alguém fala. Você pode ser visto como egoísta quando na verdade está lutando com foco e regulação de emoções. Sua autoestima sufre porque você sempre se sente atrás, como se nunca conseguisse fazer as coisas certas. Muitos adultos com TDAH desenvolvem ansiedade ou depressão secundária como resultado de lutar constantemente e se sentir fracassados. A medicação desses transtornos comórbidos sem tratar o TDAH subjacente frequentemente não é totalmente eficaz. FAQ — Perguntas Frequentes sobre TDAH em Adultos P: Se eu tivesse TDAH, teria sido diagnosticado quando criança, certo? R: Não necessariamente. Muitos adultos com TDAH passaram despercebidos na infância porque era menos reconhecido, ou porque eram inteligentes o suficiente para compensar nos primeiros anos, ou porque suas famílias também tinham TDAH e normalizavam o comportamento. Mulheres com TDAH são especialmente frequentemente não diagnosticadas porque a hiperatividade delas é mais internalizada. O diagnóstico na idade adulta é absolutamente válido. P: TDAH é apenas preguiça ou falta de disciplina? R: Não. TDAH envolve diferenças na estrutura e funcionamento do cérebro, particularmente em sistemas que regulam atenção, impulso e motivação. Pessoas com TDAH podem se disciplinar para tarefas que as interessam intensamente, mas tarefas que não os engajam são profundamente desafiadoras. Não é sobre vontade, é sobre neurobiologia. P: Se tenho TDAH e sou bem-sucedido profissionalmente, realmente tenho o transtorno? R: Sim. Sucesso profissional não descarta TDAH. Muitas pessoas com TDAH estão em carreiras que as envolvem (como trabalho criativo ou empreendedorismo) e funcionam bem nesse contexto. Porém, elas podem ainda lutar em outras áreas como organização pessoal, relacionamentos ou tarefas que não são interessantes. O TDAH afeta diferentes áreas da vida em diferentes graus dependendo de quanto a área envolve seus interesses e padrões de pensamento. P: A medicação para TDAH deixa você "dopado" ou prejudica sua criatividade? R: Medicação estimulante para TDAH não deveria deixar você "dopado". Quando você está na dose correta de medicação apropriada, você se sente mais como você mesmo, capaz de focar e ter mais controle. Criatividade não é prejudicada. Na verdade, muitas pessoas com TDAH relatam que com medicação conseguem focar sua criatividade ao invés de deixá-la saltar aleatoriamente de um tópico para outro. P: TDAH é mais comum em homens ou mulheres? R: Historicamente diagnosticado mais frequentemente em homens, mas pesquisa recente sugere que mulheres têm prevalência similar, apenas não diagnosticadas. Mulheres com TDAH frequentemente apresentam sintomas diferentes. Elas podem ser quietas ao invés de hiperativas, mais desorganizadas internamente que externamente, ou manifestar como ansiedade perfeccionista. Procure um psiquiatra que entenda TDAH em mulheres. P: Quanto tempo leva para sentir os efeitos da medicação para TDAH? R: Medicação estimulante para TDAH geralmente faz efeito dentro de 30-60 minutos. Você deveria notar melhora em foco, atenção e impulso no mesmo dia. Se você não notar diferença, a dose pode estar incorreta ou a medicação específica pode não ser a melhor para você. O encontrar da medicação correta às vezes requer ajuste. Medicações não-estimulantes demoram mais, frequentemente semanas. Conclusão Se você se reconhece nesses sintomas, especialmente se sempre sentiu que algo estava faltando apesar do sucesso externo, busque avaliação por um psiquiatra que diagnós tique TDAH em adultos. O diagnóstico correto é um alívio porque explica tanto sobre por que você lutou. Com medicação apropriada, terapia focada em estratégias de organização e comunicação, você pode prosperar. Não é preciso continuar achando que há algo errado com você. Há apenas algo diferente em como seu cérebro funciona, e isso pode ser gerenciado. Conteúdo produzido com finalidade educativa pelo Dr. Luís Guilherme O. Labinas - Psiquiatra CRM 145.324 RQE 60.777. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica.
Por Aline Gomes • 3 de outubro de 2026
Você já sentiu que só é ouvido quando grita? Que precisa explodir para alguém finalmente prestar atenção no que você sente? Se isso acontece com frequência, saiba que não é frescura, drama ou falta de educação. Muitas pessoas aprendem a reagir assim porque viveram em ambientes que ignoraram ou invalidaram suas emoções por muito tempo. Este artigo explica, de forma simples e baseada em ciência, como o ambiente pode ter ensinado seu cérebro a usar comportamentos extremos para conseguir cuidado, alívio ou atenção. E mostra que esse aprendizado pode ser modificado. O que é desregulação emocional? Desregulação emocional é quando as emoções parecem grandes demais, vêm rápido demais ou duram tempo demais. A pessoa sente que perde o controle, que a emoção decide por ela. Isso não é uma escolha consciente. É uma dificuldade real de regular o que se sente. A teoria biossocial, da psicóloga Marsha Linehan, explica que isso surge da combinação entre uma sensibilidade emocional maior, que pode ser biológica, e um ambiente que invalida repetidamente as emoções da pessoa. Quando alguém cresce ouvindo que está exagerando, que não é para chorar, que isso é bobagem, aprende que expressar emoção de forma direta não funciona. Como o ambiente pode ensinar você a gritar? Um ambiente invalidante não precisa ser cruel. Pode ser uma casa onde os pais estão sobrecarregados, uma família que valoriza só a razão ou uma cultura que trata emoção como fraqueza. O ponto central é o padrão: a pessoa expressa o que sente e não recebe acolhimento. Com o tempo, o cérebro aprende por reforço. Se pedir colo calmamente não funciona, chorar mais alto talvez funcione. Se chorar não funciona, gritar pode funcionar. Quando a explosão finalmente traz atenção ou alívio, o comportamento extremo é reforçado. A pessoa não escolhe isso de propósito. Ela aprende que só sendo vista no limite consegue ser vista. O que a ciência mais confiável mostra Uma meta-análise publicada em 2022 reuniu 21 estudos com 7.198 participantes. Ela encontrou uma associação consistente entre invalidação parental na infância e mais sintomas de desregulação emocional na vida adulta. Os tamanhos de efeito foram pequenos a moderados, em torno de 0,23 a 0,26. Na prática, em um grupo de 100 pessoas, aquelas que relataram mais invalidação na infância tendem a apresentar mais dificuldades emocionais do que aquelas que relataram menos invalidação. Outra meta-análise avaliou terapias focadas em regulação emocional, incluindo a Terapia Comportamental Dialética, a DBT. Foram 28 estudos com 1.034 pacientes. O efeito foi grande, de 0,82, na melhora da regulação emocional. Em termos práticos, em um grupo de 100 pessoas que fizeram esse tipo de terapia, cerca de 70 a 80 apresentaram melhora significativa. No grupo sem intervenção, esse número seria bem menor. Os ganhos tenderam a se manter em acompanhamentos de até 12 meses. O que a ciência ainda não sabe? A maioria dos estudos foi feita com populações ocidentais, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. Os resultados podem não ser iguais em outras culturas, onde as dinâmicas familiares e emocionais funcionam de modo diferente. Muitos estudos também pedem que adultos relembrem como foi a infância. A memória pode ser influenciada pelo momento atual. Isso não invalida os achados, mas pede cautela. Além disso, ainda não se sabe por quanto tempo os efeitos da terapia duram após o término. A maioria dos acompanhamentos vai até 12 meses. E cerca de uma em cada três pessoas pode não responder da forma esperada a uma abordagem específica. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado. Como isso aparece no dia a dia Perguntas úteis para levar à terapia: Em quais situações você sente que precisa explodir para ser ouvido? O que acontecia quando você expressava emoções difíceis na infância? Existe algum relacionamento em que você só recebe atenção quando está no limite? Sinais de alerta que pedem avaliação profissional incluem explosões de raiva que prejudicam relações, autolesão, pensamentos de morte, uso de substâncias para regular emoções e sensação crônica de vazio. Nesses casos, procure um psicólogo com formação em DBT ou em terapias baseadas em evidências para regulação emocional. O tratamento não é sobre culpar você ou sua família. É sobre construir habilidades novas. Perguntas frequentes Isso significa que meus pais são culpados pelo meu jeito de lidar com emoções? Não se trata de culpa. A teoria biossocial fala de uma interação ao longo do tempo entre a pessoa e o ambiente. Entender isso ajuda a reduzir a autocrítica e a focar no que pode mudar agora.  Então gritar é a única forma de conseguir atenção? Não é a única, mas pode ter se tornado a mais confiável para você. A terapia ajuda a identificar esses padrões e a desenvolver formas mais eficazes de comunicação e regulação. DBT serve só para borderline? Não. A DBT foi criada para o transtorno de personalidade borderline, mas hoje é usada para ansiedade, depressão, transtornos alimentares e dificuldades interpessoais. Se o ambiente foi o problema, mudar de ambiente resolve? Ajuda, mas não basta. O que foi aprendido por anos precisa ser trabalhado de forma estruturada, geralmente com acompanhamento profissional. Quanto tempo leva para melhorar? Depende de cada pessoa. Melhoras significativas podem aparecer em três a seis meses de terapia estruturada, mas consolidar novas habilidades costuma levar mais tempo. Preciso de medicação? Essa decisão deve ser tomada com um médico psiquiatra, caso a caso. Terapia e medicação não são opostas e podem ser combinadas. Nunca inicie, altere ou pare medicação sem avaliação profissional. Conclusão Gritar para ser ouvido pode ser uma resposta aprendida em ambientes que não souberam acolher emoções antes que elas virassem urgência. A boa notícia é que esse aprendizado pode ser revisto. A ciência mostra que terapias como a DBT produzem melhoras consistentes na regulação emocional, mesmo para quem passou anos alternando entre o silêncio e a explosão. Olhar para o ambiente não é justificar comportamentos que machucam você ou os outros. É olhar para a história com mais compaixão e para o presente com mais clareza. O caminho não é curto, mas é possível. E você não precisa percorrê-lo sozinho. Conteúdo produzido com finalidade educativa pela Aline Gomes Psicóloga CRP: 06/190242.
Por Aline Gomes • 2 de outubro de 2026
Existe um momento em que a exaustão emocional parece maior do que qualquer força que você possa ter. Talvez você já tenha sentido isso. A vontade de desistir pode ser um sinal de que você está cansado, e o cansaço emocional é real. A psicologia baseada em evidências tem se dedicado a entender o que sustenta uma pessoa quando ela pensa em desistir. E a resposta, segundo as pesquisas mais robustas, pode estar menos em "aguentar firme" e mais em construir uma vida alinhada com aquilo que realmente importa para você. O Que a Ciência Mais Confiável Diz Sobre Isso A Terapia Comportamental Dialética (DBT) foi desenvolvida pela psicóloga Marsha Linehan com um objetivo que é, ao mesmo tempo, simples e profundo: ajudar pessoas a construir "uma vida que vale a pena ser vivida". Essa não é uma frase motivacional solta. É o princípio que organiza toda a estrutura terapêutica da DBT, e é por isso que a abordagem se tornou uma das mais estudadas da psicologia. Mas qual é a força dessa abordagem? Uma meta-análise de rede publicada na *Psychological Medicine* em 2023 reuniu 43 estudos com um total de 3.273 participantes e comparou diferentes psicoterapias para o transtorno de personalidade borderline. O resultado foi claro: a DBT foi o tratamento com a evidência mais sólida de eficácia, com efeitos estáveis e significativos em comparação ao tratamento usual. Para traduzir: em um grupo de 100 pessoas com o mesmo diagnóstico, uma parcela significativamente maior se beneficiaria com a DBT do que com o tratamento padrão. A evidência mais robusta sobre a DBT vem de sua capacidade de reduzir comportamentos autodestrutivos e ideação suicida. Uma meta-análise publicada no *Journal of Clinical Psychology* em 2026 analisou 83 estudos e encontrou que a DBT foi associada a uma redução grande em violência autodirigida e reduções médias em uso de serviços de crise e ideação suicida. Em estudos controlados, a DBT demonstrou efeito significativo para violência autodirigida. Na prática, isso significa uma redução substancial no risco de comportamentos graves em pessoas que recebem DBT. Outra meta-análise recente, publicada em 2026, analisou sete ensaios clínicos e encontrou que a DBT produziu uma redução moderada e estatisticamente significativa nos sintomas de depressão, com um tamanho de efeito de SMD = -0,59 (IC 95% -1,02 a -0,16). Para colocar em termos práticos: em um grupo de 100 pessoas com sintomas depressivos, aproximadamente 22 a 30 pessoas a mais apresentariam melhora significativa com a DBT em comparação a um grupo sem intervenção. A DBT também mostrou redução moderada na expressão de raiva, com SMD = -0,738. O Papel dos Valores na Prática A construção de valores de vida não é um exercício abstrato. Na DBT, ela é uma habilidade concreta que envolve identificar o que dá sentido à sua existência e, a partir disso, tomar decisões e agir de forma coerente com esses princípios, mesmo quando as emoções são intensas. Pesquisas qualitativas com terapeutas de DBT mostram que a integração precoce dos objetivos e valores dos clientes é fundamental para motivar mudanças por razões maiores do que apenas a redução de sintomas. Os terapeutas descrevem a recuperação como uma transição do sofrimento para uma vida de liberdade normal, na qual os clientes adquirem habilidades que permitem a criação de um modo de vida estável e viável. Mas o que a ciência diz sobre a relação entre viver de acordo com valores e sofrimento psicológico? Uma meta-análise publicada no *Journal of Contextual Behavioral Science* em 2023 revisou 72 estudos com mais de 14 mil participantes e mostrou que "viver de acordo com valores pessoais" tem correlação negativa com depressão (r = -0,42, IC 95% [-0,45; -0,39], p < .001) e ansiedade (r = -0,26, IC 95% [-0,29; -0,22], p < .001). Em termos práticos: quanto mais uma pessoa age em coerência com o que realmente importa para ela, menores tendem a ser os níveis de sofrimento psicológico. A correlação de -0,42 é considerada moderada a forte na psicologia, um efeito robusto que aparece de forma consistente em diferentes populações. É importante saber que esses estudos foram feitos majoritariamente com pessoas de países ocidentais, então os resultados podem não ser os mesmos para outras culturas. Além disso, a maioria dos estudos incluídos nessa meta-análise foi realizada com estudantes universitários ou pessoas com dor crônica, o que limita a generalização para outros grupos. O Que a Ciência Ainda Não Sabe Apesar dos resultados promissores, é importante ser honesto sobre as limitações. Os pesquisadores ainda não sabem se os benefícios da DBT duram mais de dois anos, porque a maioria dos estudos acompanha os participantes por apenas 6 a 12 meses. A meta-análise que analisou 83 estudos sobre DBT e suicidabilidade aponta que os resultados devem ser interpretados com cautela devido à heterogeneidade entre os estudos e evidências de viés de publicação. Além disso, nem todas as pessoas respondem da mesma forma. A ciência mostra que cerca de 1 em cada 3 pessoas pode não ter o benefício esperado, o que reforça a importância de tratamentos individualizados. Também é importante notar que a maioria dos estudos sobre DBT foi realizada com pessoas diagnosticadas com transtorno de personalidade borderline, o que significa que os resultados podem não ser generalizáveis para outras condições de saúde mental. E Como Isso se Traduz no Dia a Dia? Se você está passando por um momento em que pensa em desistir, a ciência sugere que olhar para seus valores pode ser um caminho. Não se trata de ignorar a dor, mas de encontrar um motivo que seja maior do que ela. Pergunte a si mesmo: o que faz minha vida valer a pena, mesmo nos dias difíceis? Quais são as pessoas, causas ou projetos que dão sentido à minha existência? Essas perguntas podem ser um ponto de partida para uma conversa com um psicólogo. A DBT ensina que a construção de uma vida com significado é uma habilidade que pode ser aprendida e praticada. Não é sobre nunca sentir vontade de desistir, mas sobre ter algo que te puxe de volta quando essa vontade aparece. Se você está em sofrimento intenso, procure ajuda profissional. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia. Falar com alguém pode ser o primeiro passo. Perguntas Frequentes A DBT é apenas para pessoas com transtorno de personalidade borderline? Não. Embora tenha sido desenvolvida inicialmente para esse público, a DBT tem sido estudada e adaptada para diversas condições, como transtornos alimentares, uso de substâncias, depressão e ansiedade. Uma meta-análise de 2026 mostrou que intervenções baseadas em DBT foram associadas a melhoras significativas na regulação emocional em pessoas com transtorno do espectro autista, com SMD = -0,89. Construir valores de vida é o mesmo que fazer uma lista de metas? Não exatamente. Valores são direções que guiam sua vida, como "ser uma pessoa presente para minha família" ou "contribuir para minha comunidade". Metas são objetivos específicos que você pode alcançar. Valores são o "porquê" por trás das metas. Quanto tempo leva para ver resultados com a DBT? Os estudos geralmente avaliam resultados após 6 meses a 1 ano de tratamento. A meta-análise sobre depressão e raiva incluiu ensaios que variaram de 8 semanas a 12 meses de duração. Cada pessoa tem um ritmo diferente, e os benefícios tendem a aparecer gradualmente. A DBT substitui a medicação? Não. A DBT é uma forma de psicoterapia e não substitui a avaliação e o acompanhamento médico. Qualquer decisão sobre medicação deve ser discutida com um psiquiatra. E se eu não me identificar com os valores que a terapia propõe? Os valores são seus. A terapia não impõe valores, ela ajuda você a identificar o que já é importante para você. O terapeuta é um facilitador nesse processo de autoconhecimento. A DBT funciona para qualquer pessoa? A ciência mostra que a DBT tem bons resultados para muitas pessoas, mas não para todas. Cerca de 1 em cada 3 pessoas pode não ter o benefício esperado. É importante que o tratamento seja individualizado e que você converse abertamente com seu terapeuta sobre o que está funcionando ou não. Conclusão Quando você está quase desistindo, o que te mantém de pé? A resposta pode estar menos em uma força sobre-humana e mais na construção de uma vida que faça sentido para você. A ciência da DBT mostra que valores pessoais não são um luxo, são uma ferramenta de sobrevivência. Eles nos conectam a algo maior do que a dor do momento. Se você está nesse ponto, saiba que a busca por uma vida com significado é um caminho possível, e que a psicologia tem evidências para te ajudar a trilhá-lo. Conteúdo produzido com finalidade educativa pela Aline Gomes Psicóloga CRP: 06/190242.