Quando Procurar um Psiquiatra? Dicas para Saber a Hora Certa

Luis Guilherme Labinas • 25 de agosto de 2025

Introdução


Muitas pessoas enfrentam sofrimento emocional por longos períodos antes de buscar ajuda especializada. Por receio, desinformação ou estigma, acabam tentando lidar sozinhas com sintomas que, se tratados precocemente, poderiam ser manejados de forma mais leve e eficaz. Assim como procuramos um cardiologista para cuidar do coração, procurar um psiquiatra para cuidar da mente é um ato de responsabilidade com a própria saúde.

Neste artigo, vamos abordar os principais sinais de que é hora de procurar um psiquiatra, esclarecer dúvidas comuns e mostrar que o acompanhamento médico em saúde mental pode transformar a qualidade de vida.


O que faz um psiquiatra?


O psiquiatra é o médico especializado no diagnóstico, tratamento e prevenção de transtornos mentais, emocionais e comportamentais. Está habilitado para:

  • Avaliar sintomas emocionais com base em critérios clínicos
  • Solicitar exames complementares, quando necessário
  • Prescrever medicamentos psiquiátricos, se indicados
  • Acompanhar o tratamento de forma individualizada
  • Trabalhar em conjunto com psicólogos e outros profissionais de saúde

Ao contrário do que muitos imaginam, o psiquiatra não atua apenas em casos graves. Ele é o profissional mais indicado para acompanhar situações que envolvam sofrimento emocional significativo, mesmo que não haja um diagnóstico estabelecido.


Sinais de que você pode se beneficiar de uma consulta com psiquiatra


1. Sofrimento emocional persistente
Tristeza, angústia, irritabilidade ou ansiedade que duram semanas ou meses e não melhoram sozinhos.

2. Alterações de sono e apetite
Insônia, sono excessivo, perda ou aumento de apetite de forma persistente podem ser manifestações de transtornos do humor ou ansiedade.

3. Dificuldade para funcionar no dia a dia
Queda de produtividade, dificuldade de concentração, falta de motivação e isolamento social são sinais de alerta.

4. Pensamentos negativos frequentes
Ideias de culpa excessiva, inutilidade, desesperança ou pensamentos de morte devem ser levados a sério.

5. Ataques de pânico ou crises de ansiedade
Sensações físicas intensas, como taquicardia, falta de ar ou medo de morrer sem causa aparente, indicam necessidade de avaliação.

6. Mudanças súbitas de humor
Oscilações bruscas entre euforia e tristeza, impulsividade ou comportamentos autodestrutivos podem ser sinais de transtorno do humor.

7. Uso excessivo de substâncias para lidar com emoções
A automedicação com álcool, cigarro ou outras drogas pode mascarar transtornos e piorar o quadro.

8. Histórico familiar de transtornos mentais
Pessoas com familiares que têm depressão, ansiedade, transtorno bipolar ou esquizofrenia devem ficar atentas a sinais precoces.

9. Perda recente ou evento traumático
Situações como luto, término, desemprego ou acidentes podem desencadear quadros de sofrimento emocional que se agravam com o tempo.

10. Dúvidas persistentes sobre a própria saúde mental
Se você se pergunta com frequência se “isso é normal” ou sente que está no limite emocional, já é um sinal importante para buscar orientação.


A diferença entre psiquiatra e psicólogo


O psiquiatra é médico, pode prescrever medicamentos e tratar quadros que exigem intervenção clínica. O psicólogo atua com psicoterapia, trabalhando questões emocionais e comportamentais por meio do diálogo terapêutico.

Muitas vezes, o melhor cuidado ocorre com o trabalho conjunto entre psiquiatra e psicólogo — cada um contribuindo com sua abordagem específica.


FAQs


Preciso estar em crise para ir ao psiquiatra?
Não. Quanto mais precoce a busca por ajuda, melhores os resultados. A psiquiatria também atua na prevenção e no acompanhamento de sintomas leves.


Ir ao psiquiatra significa que estou “louco”?
De forma alguma. Essa ideia é fruto de preconceitos antigos. Ir ao psiquiatra é uma escolha madura e responsável diante de sofrimento emocional.


Posso ir ao psiquiatra mesmo sem saber se tenho um transtorno?
Sim. Muitas pessoas procuram o psiquiatra apenas para entender melhor seus sintomas. O diagnóstico, quando necessário, será feito durante o acompanhamento.


Todo psiquiatra receita remédio na primeira consulta?
Não necessariamente. O psiquiatra avalia cada caso com cuidado. Em muitos casos, o início do tratamento é feito apenas com escuta, orientação e, se indicado, encaminhamento para psicoterapia.


E se eu não me adaptar ao tratamento?
O acompanhamento contínuo permite ajustar medicações, frequências de consulta e estratégias terapêuticas. O processo é flexível e adaptável.


Conclusão



Reconhecer a hora de procurar um psiquiatra é um gesto de autocuidado e coragem. A saúde mental é parte essencial do bem-estar, e tratá-la com a seriedade que merece pode evitar agravamentos, restaurar a qualidade de vida e permitir que a pessoa reencontre equilíbrio, funcionalidade e esperança. Se você ou alguém próximo tem vivido um sofrimento que parece maior do que deveria, buscar ajuda especializada pode ser o primeiro passo para uma vida mais leve e saudável.

Por Luis Guilherme Labinas 2 de fevereiro de 2026
Introdução Com o avanço da idade ou em períodos de estresse intenso, muitas pessoas começam a notar lapsos de memória, dificuldade de concentração ou sensação de lentidão mental. Embora parte desses sintomas possa ser considerada normal em determinadas fases da vida, é importante saber reconhecer os sinais que indicam um possível déficit cognitivo. Quando ignorados, esses sinais podem evoluir para quadros mais graves, como comprometimento cognitivo leve ou até demência. Mais do que um problema exclusivo da terceira idade, a desaceleração cognitiva pode estar associada a uma série de condições psiquiátricas, neurológicas e até mesmo ao estilo de vida moderno. O objetivo deste artigo é ajudar você a entender o que é esperado e o que merece atenção, especialmente em casos que envolvem depressão, ansiedade e sobrecarga emocional. O que é Déficit Cognitivo? Déficit cognitivo é um termo amplo usado para descrever qualquer alteração no funcionamento mental, especialmente em áreas como memória, atenção, linguagem, raciocínio e tomada de decisão. Ele pode ser leve e transitório, como nos casos de fadiga mental por estresse, ou mais persistente, como em quadros neurológicos progressivos. É comum que pessoas acima dos 40 anos comecem a perceber mudanças cognitivas sutis. No entanto, quando essas alterações começam a impactar o desempenho no trabalho, nos estudos ou nas atividades do dia a dia, é hora de investigar. Diferença entre Esquecimento Normal e Patológico Nem todo esquecimento é sinal de doença. Esquecer o nome de alguém eventualmente, onde estacionou o carro ou o que ia buscar na geladeira pode fazer parte da rotina de qualquer pessoa saudável. O problema está quando o esquecimento se torna frequente, interfere nas relações ou compromissos, ou quando há dificuldade em aprender coisas novas. O esquecimento normal geralmente melhora com o descanso, enquanto o patológico tende a piorar com o tempo e não melhora mesmo com esforço. Além disso, o comprometimento cognitivo pode vir acompanhado de outros sintomas, como confusão mental, dificuldade em manter o foco ou executar tarefas simples. Condições Psiquiátricas que Afetam a Cognição Depressão, ansiedade e transtornos do sono são causas muito comuns de queixas cognitivas. Muitas vezes, o paciente relata que está “com Alzheimer”, quando na verdade está em um episódio depressivo com lentificação do pensamento e dificuldades de memória. Essa forma de prejuízo é chamada de “comprometimento cognitivo secundário”, pois está ligada a outra condição de base. Quando tratada a causa principal, a cognição tende a melhorar. No entanto, deixar esses sintomas sem cuidado por muito tempo pode acelerar processos degenerativos, principalmente em pessoas com predisposição genética. Estilo de Vida e Saúde Cognitiva Fatores como má qualidade do sono, sedentarismo, alimentação pobre em nutrientes, excesso de multitarefas e estresse crônico têm impacto direto na função cerebral. A boa notícia é que o cérebro tem uma capacidade enorme de adaptação – chamada neuroplasticidade – que pode ser estimulada por mudanças no estilo de vida. Atividades físicas, leitura, meditação, convívio social e alimentação balanceada são estratégias fundamentais para manter o cérebro ativo. Técnicas como o neurofeedback e programas de estimulação cognitiva também podem ser indicados em determinados casos. Avaliação e Intervenções Precoces Fazem a Diferença A avaliação neuropsicológica é uma ferramenta essencial para diferenciar alterações benignas das preocupantes. Com ela, é possível identificar quais áreas do cérebro estão mais comprometidas e planejar intervenções individualizadas. Além disso, o acompanhamento com profissionais de saúde mental pode ajudar a identificar quadros psiquiátricos de base, ajustar medicações ou até mesmo prevenir a evolução para demências. O tempo de resposta é um fator crítico: quanto mais cedo se identifica e intervém, melhores são os resultados. FAQ – Perguntas Frequentes 1. É normal esquecer palavras com frequência depois dos 40? Algumas alterações sutis de memória podem ocorrer com a idade, mas esquecer palavras com muita frequência pode indicar necessidade de avaliação, especialmente se vier acompanhado de outras dificuldades cognitivas. 2. Existe exame para saber se estou com déficit cognitivo? Sim. A avaliação neuropsicológica e exames complementares com neurologista ou psiquiatra ajudam a entender o funcionamento do cérebro e descartar causas orgânicas. 3. Déficit cognitivo sempre leva à demência? Não. Muitos casos são reversíveis, especialmente quando associados a causas emocionais, metabólicas ou ao estilo de vida. A detecção precoce é fundamental. 4. Quem tem depressão pode parecer estar com Alzheimer? Sim. Esse fenômeno é chamado de pseudodemência depressiva. A pessoa apresenta lentidão mental, dificuldade de concentração e memória, que melhoram com o tratamento da depressão. 5. Neurofeedback e estimulação cognitiva ajudam a melhorar o desempenho mental? Em muitos casos, sim. Essas técnicas podem ser usadas como complemento ao tratamento e são especialmente úteis em quadros leves a moderados, sob orientação profissional. Conclusão O cérebro também precisa de cuidado, estímulo e atenção aos sinais de alerta. Quando há percepção de que o raciocínio está mais lento, a memória falha com frequência ou as tarefas rotineiras exigem mais esforço que antes, é hora de investigar. Em muitos casos, pequenas mudanças de hábito e um olhar atento à saúde mental podem trazer grandes benefícios. Não se trata apenas de evitar doenças, mas de preservar a qualidade de vida e o bem-estar cognitivo ao longo dos anos.
Por Luis Guilherme Labinas 29 de janeiro de 2026
Introdução É normal esquecer onde deixamos as chaves ou esquecer o nome de alguém ocasionalmente. No entanto, quando os episódios de esquecimento começam a se tornar frequentes ou atrapalham o cotidiano, pode ser um sinal de algo mais sério. A disfunção cognitiva leve, também conhecida como comprometimento cognitivo leve (CCL), é uma condição que merece atenção, especialmente quando identificada precocemente. O que é a disfunção cognitiva leve? A disfunção cognitiva leve é uma alteração nas funções mentais que vai além do esperado para a idade da pessoa, mas que ainda não é grave o suficiente para ser considerada demência. Ela pode afetar a memória, a atenção, a linguagem ou outras habilidades cognitivas, mantendo, no entanto, a capacidade de realizar atividades da vida diária. Muitas vezes, o primeiro sinal percebido é a dificuldade de lembrar informações recentes, como compromissos ou conversas. Mas o comprometimento também pode se manifestar por meio de lentidão no raciocínio, dificuldade para planejar tarefas simples ou até problemas para encontrar palavras durante uma conversa. Quais são as causas possíveis? A disfunção cognitiva leve pode estar relacionada a diversos fatores, incluindo: Envelhecimento natural do cérebro Histórico familiar de demência Doenças vasculares, como hipertensão e diabetes Depressão e ansiedade Apneia do sono Uso de medicamentos com efeito sedativo Deficiências nutricionais (como vitamina B12) Traumas cranianos ou AVCs prévios Em alguns casos, o comprometimento cognitivo leve pode ser transitório e reversível, especialmente quando está relacionado a causas tratáveis, como depressão ou alterações hormonais. Em outros, pode ser um estágio inicial de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Quando procurar ajuda médica? É importante buscar avaliação médica quando os lapsos de memória começam a interferir na rotina, causar preocupação na família ou quando surgem acompanhados de mudanças de comportamento, irritabilidade, tristeza ou isolamento. Um neurologista ou psiquiatra poderá realizar testes cognitivos, exames de imagem e investigar as possíveis causas. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de reverter ou retardar a progressão do quadro, principalmente se forem identificados fatores de risco modificáveis. Tratamentos e estratégias de prevenção Não existe um único tratamento para a disfunção cognitiva leve, mas algumas intervenções podem ajudar muito: Estimulação cognitiva : atividades como leitura, jogos de raciocínio, palavras cruzadas e até cursos online ajudam a exercitar o cérebro. Atividade física regular : melhora a oxigenação cerebral e reduz fatores de risco como obesidade, pressão alta e diabetes. Sono de qualidade : distúrbios do sono impactam diretamente a memória e a atenção. Alimentação balanceada : rica em antioxidantes, ômega-3 e vitaminas do complexo B. Controle emocional : tratar quadros de ansiedade e depressão também melhora o desempenho cognitivo. Técnicas de organização e rotina : anotar tarefas, usar alarmes e manter hábitos previsíveis ajudam a reduzir falhas na memória. FAQ 1. Disfunção cognitiva leve é o mesmo que Alzheimer? Não. A disfunção cognitiva leve pode ser um estágio anterior ao Alzheimer, mas nem todos os casos evoluem para demência. Muitas vezes, é possível estabilizar ou até reverter o quadro. 2. Existe tratamento medicamentoso? Não há medicamentos aprovados especificamente para disfunção cognitiva leve, mas é possível tratar causas associadas, como depressão, insônia ou deficiência de vitaminas. 3. Jovens também podem ter disfunção cognitiva? Sim, especialmente em casos de estresse crônico, transtornos de humor ou privação de sono. Nesses casos, a condição costuma ser reversível. 4. Como saber se é apenas esquecimento comum ou algo mais sério? Quando o esquecimento começa a interferir na rotina ou vem acompanhado de outras alterações cognitivas e emocionais, é importante buscar avaliação médica. 5. A estimulação cognitiva realmente ajuda? Sim. Manter o cérebro ativo por meio de atividades intelectuais, sociais e físicas pode ajudar a preservar as funções cognitivas por mais tempo. Conclusão A disfunção cognitiva leve não deve ser ignorada. Embora nem sempre indique um quadro grave, pode ser o primeiro sinal de alerta para condições que precisam de cuidado. A boa notícia é que, com diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida, é possível viver com mais autonomia e preservar a saúde do cérebro por muito mais tempo.
Por Luis Guilherme Labinas 26 de janeiro de 2026
Introdução O biofeedback é uma técnica que une tecnologia, autoconsciência e neurociência para ajudar o paciente a entender e regular suas próprias respostas fisiológicas. Por meio de sensores que monitoram variáveis como frequência cardíaca, respiração e tensão muscular, é possível desenvolver maior controle sobre o próprio corpo — algo especialmente útil em quadros de ansiedade, estresse crônico, dor e até insônia. Neste artigo, explicamos o que é o biofeedback, como ele funciona, suas aplicações clínicas e o que dizem as evidências científicas sobre seus efeitos. O que é biofeedback e como ele funciona? Biofeedback é um método de treinamento psicofisiológico que utiliza sensores eletrônicos para fornecer ao paciente informações em tempo real sobre funções corporais que normalmente não são percebidas conscientemente. Entre os sinais monitorados estão: Frequência cardíaca e variabilidade da frequência cardíaca (VFC) Atividade elétrica muscular (EMG) Condutância da pele (resposta galvânica) Frequência respiratória Temperatura periférica Ao visualizar essas informações por meio de gráficos, sons ou animações em um monitor, o paciente aprende, com ajuda profissional, a modificar essas respostas fisiológicas voluntariamente. O objetivo é promover um estado de equilíbrio e autorregulação, favorecendo o bem-estar e a saúde mental. Quais são as indicações clínicas do biofeedback? O biofeedback é amplamente utilizado como ferramenta complementar no tratamento de diversos quadros, com destaque para: Transtornos de ansiedade (TAG, fobia social, ansiedade generalizada) Estresse crônico e burnout Transtornos psicossomáticos (como cefaleias tensionais, bruxismo, síndrome do intestino irritável) Dor crônica (lombalgias, fibromialgia) Hipertensão arterial leve a moderada Insônia TDAH (em protocolos combinados com neurofeedback) Otimização da performance física e cognitiva A técnica é especialmente útil em pessoas que têm dificuldade de reconhecer os sinais de ativação corporal relacionados ao estresse, como taquicardia, tensão muscular e sudorese. Qual a diferença entre biofeedback e neurofeedback? Embora os dois métodos sejam semelhantes em termos técnicos, o foco é diferente. O neurofeedback trabalha exclusivamente com a atividade elétrica cerebral (ondas cerebrais), enquanto o biofeedback monitora funções corporais periféricas, como frequência cardíaca, respiração, temperatura e músculos. Ambos podem ser utilizados em conjunto, dependendo do objetivo terapêutico. Como são feitas as sessões de biofeedback? Durante a sessão, o paciente permanece sentado ou deitado, com sensores posicionados no corpo conforme a variável a ser monitorada. Os dados são exibidos em tempo real em uma tela, e o terapeuta guia o paciente na interpretação e regulação das respostas fisiológicas por meio de técnicas de respiração, relaxamento, atenção plena ou visualização. As sessões duram cerca de 30 a 60 minutos, geralmente realizadas uma ou duas vezes por semana. A duração do tratamento varia conforme a resposta clínica, sendo comuns ciclos de 8 a 20 sessões. O que dizem os estudos sobre a eficácia do biofeedback? Diversas pesquisas têm demonstrado que o biofeedback pode ser eficaz na redução de sintomas de ansiedade, dor e insônia, especialmente quando utilizado em programas estruturados e com protocolos bem definidos. Um dos domínios mais estudados é a variabilidade da frequência cardíaca (HRV biofeedback), que tem mostrado benefícios na regulação emocional, na redução da ansiedade e na melhora da resiliência ao estresse. A Associação Americana de Psicologia e a Association for Applied Psychophysiology and Biofeedback (AAPB) classificam o biofeedback como uma intervenção baseada em evidências para diversos quadros clínicos, embora ressaltem a importância da qualificação profissional para sua aplicação adequada. Perguntas frequentes (FAQ) 1. O biofeedback substitui o tratamento medicamentoso? Não. Ele é um recurso complementar que pode potencializar os efeitos do tratamento tradicional, mas não substitui o uso de medicamentos quando estes são necessários. 2. É possível usar biofeedback em crianças? Sim. Em casos como TDAH ou enurese noturna, o biofeedback pode ser adaptado de forma lúdica e eficaz, desde que conduzido por profissionais especializados. 3. Biofeedback é a mesma coisa que meditação ou mindfulness? Embora compartilhem o objetivo de autorregulação, o biofeedback utiliza tecnologia para fornecer dados em tempo real sobre o corpo, o que pode acelerar o aprendizado da regulação fisiológica. 4. Quais profissionais estão habilitados a conduzir sessões de biofeedback? Psicólogos, psiquiatras, fisioterapeutas e outros profissionais de saúde com formação específica na técnica e certificação adequada podem conduzir os atendimentos. 5. Os efeitos do biofeedback duram a longo prazo? Em muitos casos, sim. Quando o paciente internaliza as estratégias aprendidas, é possível manter o controle fisiológico mesmo fora das sessões, promovendo maior qualidade de vida e bem-estar. Conclusão O biofeedback é uma ferramenta segura, eficaz e baseada em ciência para auxiliar no controle da ansiedade, do estresse e de diversos sintomas psicofisiológicos. Ao ensinar o paciente a reconhecer e modular suas próprias respostas corporais, ele promove um caminho de autocuidado e protagonismo no processo terapêutico. Integrado a um plano de tratamento bem estruturado, o biofeedback pode representar um divisor de águas na saúde emocional e física de muitos pacientes.
Por Luis Guilherme Labinas 22 de janeiro de 2026
Introdução Nos últimos anos, a Estimulação Magnética Transcraniana por Corrente Contínua (EMTc) tem se destacado como uma alternativa segura, eficaz e não invasiva para o tratamento de diversos transtornos mentais. Essa técnica vem ganhando espaço em instituições de ponta e despertando o interesse de pacientes que buscam novas abordagens terapêuticas quando os tratamentos tradicionais não são suficientes. Mas afinal, o que é a EMTc? Quando ela é indicada? E por que seu uso está crescendo tanto na prática clínica? A seguir, vamos entender como essa ferramenta atua no cérebro, suas principais indicações e o que a diferencia de outras terapias neuromodulatórias. O que é a EMTc e como ela funciona? A EMTc é uma forma de neuromodulação que utiliza correntes elétricas de baixa intensidade aplicadas diretamente no couro cabeludo, com o objetivo de modificar a excitabilidade cortical de regiões específicas do cérebro. Diferente da Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr), que atua por pulsos magnéticos, a EMTc utiliza corrente contínua (transcranial direct current stimulation – tDCS), o que permite uma aplicação mais simples, silenciosa e com menos custo operacional. Ao modular áreas como o córtex pré-frontal dorsolateral, a EMTc pode influenciar circuitos cerebrais envolvidos no humor, na atenção, na tomada de decisões e na dor crônica. Os efeitos acontecem por meio de mecanismos neurofisiológicos que favorecem a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de se reorganizar e aprender a funcionar de maneira mais saudável. Quais são as principais indicações da EMTc? A EMTc tem se mostrado eficaz como tratamento complementar em diversos transtornos psiquiátricos e neurológicos. As indicações mais estudadas e com maior respaldo científico incluem: Depressão resistente ao tratamento medicamentoso Transtornos de ansiedade, como TAG e fobia social Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) TDAH (especialmente em adultos) Dor crônica e fibromialgia Reabilitação pós-AVC (em contexto neurológico) Insônia crônica É importante ressaltar que a EMTc não substitui os tratamentos convencionais, como medicação e psicoterapia, mas atua como uma ferramenta adicional em planos terapêuticos bem estruturados. Qual é a diferença entre EMTc e EMTr? Embora ambas sejam técnicas de neuromodulação, a EMTc e a EMTr apresentam diferenças importantes. A EMTr utiliza campos magnéticos pulsáteis de alta frequência, exigindo equipamentos mais robustos e ambiente controlado. Já a EMTc é aplicada por meio de eletrodos colocados no couro cabeludo, com correntes elétricas contínuas e intensidades muito baixas, geralmente entre 1 a 2 mA. A EMTc costuma ter menor custo, menor incidência de efeitos colaterais e é mais silenciosa, tornando-se uma opção interessante principalmente em ambientes ambulatoriais e institutos de saúde mental. Apesar disso, a EMTr ainda é mais indicada em casos de depressão maior grave com forte resistência ao tratamento. É seguro fazer EMTc? Existem efeitos colaterais? Sim, a EMTc é considerada uma técnica segura, com baixa incidência de efeitos adversos. Os mais comuns são leves e transitórios, como dor de cabeça leve, formigamento no local de aplicação ou sensação de calor. Não há riscos de convulsão, diferentemente do que pode ocorrer com outras formas de estimulação cerebral mais intensas. A aplicação deve ser feita por profissionais capacitados, com protocolo adequado, avaliação psiquiátrica prévia e indicação clínica bem definida. A técnica não é indicada para pessoas com marcapasso, epilepsia ou implantes metálicos na cabeça. Como é feita a aplicação da EMTc na prática? As sessões duram em média 20 a 30 minutos, são feitas em ambiente ambulatorial e não exigem sedação ou internação. O número de sessões varia de acordo com o diagnóstico e a resposta do paciente, mas protocolos mais comuns incluem 10 a 20 sessões em dias consecutivos ou alternados. Durante a aplicação, o paciente permanece sentado ou deitado confortavelmente, com os eletrodos fixados na cabeça conforme a região cerebral a ser modulada. A experiência costuma ser bem tolerada e muitos pacientes relatam sensação de relaxamento após as sessões. Perguntas frequentes (FAQ) 1. EMTc é um tratamento novo? Apesar de estar ganhando popularidade recentemente, a EMTc já é estudada há mais de duas décadas, com crescente validação científica nos últimos 10 anos. 2. Posso fazer EMTc mesmo tomando antidepressivo? Sim, a EMTc é frequentemente utilizada em associação com medicamentos e psicoterapia, potencializando os efeitos dos tratamentos convencionais. 3. EMTc serve para quem tem crises de ansiedade? Sim, há evidências de eficácia da EMTc em transtornos de ansiedade, especialmente quando há sintomas resistentes ao tratamento padrão. 4. Tem risco de “choque” ou algo doloroso? Não. A corrente usada é de baixa intensidade e não gera choques. A maioria dos pacientes tolera bem as sessões, com desconforto mínimo. 5. O efeito é imediato ou leva tempo? Assim como os antidepressivos e outras terapias, os efeitos são cumulativos. A melhora geralmente ocorre ao longo das sessões, com impacto progressivo nos sintomas. Conclusão A EMTc representa um avanço importante na psiquiatria moderna, especialmente no cuidado de pacientes com sintomas resistentes ou intolerância aos tratamentos convencionais. Seu mecanismo de ação, baseado na neuromodulação leve e direcionada, oferece segurança e bons resultados quando bem indicada. Instituições que adotam essa tecnologia demonstram compromisso com a inovação e o cuidado centrado no paciente. Para quem busca novas possibilidades terapêuticas com respaldo científico, a EMTc é uma alternativa promissora.
Por Luis Guilherme Labinas 19 de janeiro de 2026
Introdução A esclerose múltipla é uma condição neurológica crônica e autoimune que pode afetar diferentes áreas do sistema nervoso central, provocando sintomas variados e, muitas vezes, incapacitantes. É uma doença que ainda gera muitas dúvidas e inseguranças, especialmente por sua manifestação imprevisível. Neste artigo, vamos entender como ela ocorre, quais são os principais sinais e como é feito o diagnóstico e o tratamento. O que é a esclerose múltipla? A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória na qual o sistema imunológico ataca a mielina — uma camada protetora que envolve as fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal. Esse processo causa lesões que comprometem a transmissão de impulsos nervosos e podem levar a déficits motores, sensoriais e cognitivos. Ela costuma surgir entre os 20 e 40 anos e afeta principalmente mulheres. Existem diferentes formas da doença, sendo a mais comum a esclerose múltipla remitente-recorrente, marcada por surtos e remissões parciais ou completas dos sintomas. Sintomas mais comuns Os sintomas variam de pessoa para pessoa, de acordo com a região do sistema nervoso afetada. Alguns dos mais frequentes incluem: Formigamento ou dormência em membros Fraqueza muscular Visão turva ou dupla (neurite óptica) Tontura ou desequilíbrio Fadiga intensa Dificuldades cognitivas Problemas de controle urinário Esses sinais podem aparecer de forma súbita, piorar em dias quentes (fenômeno de Uhthoff) e desaparecer parcialmente, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. Como é feito o diagnóstico? O diagnóstico da esclerose múltipla é clínico, complementado por exames de imagem e laboratoriais. A ressonância magnética é o principal exame, pois identifica lesões características da doença no cérebro e medula espinhal. Além disso, exames de líquor e testes de potenciais evocados podem auxiliar no fechamento diagnóstico. A avaliação deve ser feita por um neurologista com experiência em doenças desmielinizantes, pois outras condições podem simular os sintomas da EM. Tratamento e acompanhamento Embora não tenha cura, a esclerose múltipla pode ser controlada com medicamentos que reduzem a atividade inflamatória, diminuem o número de surtos e retardam a progressão da doença. O tratamento pode incluir: Imunomoduladores ou imunossupressores Corticoides em crises agudas Reabilitação multidisciplinar (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional) Acompanhamento psicológico e psiquiátrico A adesão ao tratamento e o monitoramento contínuo são fundamentais para preservar a qualidade de vida e a autonomia da pessoa com EM. Perguntas frequentes (FAQ) 1. Esclerose múltipla é hereditária? Não é considerada uma doença hereditária, mas pode haver predisposição genética associada. 2. A esclerose múltipla leva à cadeira de rodas? Nem todos os pacientes evoluem para formas graves. Com tratamento precoce e acompanhamento adequado, muitos mantêm uma vida ativa por décadas. 3. O que pode desencadear uma crise? Infecções, estresse e até mudanças de temperatura podem precipitar sintomas. 4. Qual a diferença entre esclerose múltipla e ELA? A ELA (esclerose lateral amiotrófica) afeta os neurônios motores e tem progressão mais rápida e grave. A EM afeta a mielina e costuma ter evolução mais lenta e variada. 5. É possível engravidar com esclerose múltipla? Sim. A gravidez costuma ter efeito protetor e o tratamento deve ser ajustado com acompanhamento médico. Conclusão  A esclerose múltipla é uma condição complexa, mas que pode ser manejada com informação, apoio médico especializado e um plano de tratamento bem definido. Quanto mais cedo for identificada, maiores são as chances de preservar as funções neurológicas e garantir qualidade de vida ao paciente.
Por Luis Guilherme Labinas 15 de janeiro de 2026
Introdução O neurofeedback tem despertado cada vez mais interesse como recurso complementar no cuidado da saúde mental. Com uma proposta de treinar o cérebro em tempo real, essa técnica promete melhorar o funcionamento cerebral em diferentes quadros clínicos, como ansiedade, TDAH, depressão e até insônia. Mas será que o neurofeedback realmente funciona? O que a ciência diz sobre seus efeitos? E quando ele pode ser indicado na prática clínica? Neste artigo, vamos explorar o que é o neurofeedback, como ele atua no cérebro, suas aplicações clínicas mais comuns e as evidências científicas que sustentam seu uso. O que é neurofeedback e como ele atua no cérebro? O neurofeedback é uma forma de biofeedback cerebral baseada na atividade elétrica do cérebro, captada por meio de um eletroencefalograma (EEG). Durante a sessão, sensores são colocados no couro cabeludo para registrar as ondas cerebrais em tempo real. O paciente visualiza essa atividade em uma tela, como se estivesse “assistindo ao próprio cérebro”, e aprende a modificar padrões disfuncionais por meio de reforços positivos — como sons, gráficos ou vídeos que reagem às alterações cerebrais desejadas. A técnica é baseada em neuroplasticidade: com a repetição de sessões, o cérebro é estimulado a funcionar de forma mais autorregulada, favorecendo estados de atenção, calma ou controle emocional, dependendo do protocolo adotado. Para quais condições o neurofeedback pode ser indicado? As indicações do neurofeedback vêm se ampliando, especialmente em contextos nos quais há disfunções eletrocorticais associadas aos sintomas. Entre os principais quadros com respaldo clínico para o uso da técnica, destacam-se: Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) Transtornos de ansiedade Depressão leve a moderada Insônia Transtorno do Espectro Autista (TEA) Síndrome do pânico Epilepsia (em casos específicos, sob supervisão neurológica) Otimização de performance cognitiva (uso não clínico) Vale reforçar que o neurofeedback não substitui medicações ou psicoterapia, mas pode atuar como recurso complementar no plano terapêutico. O que dizem as evidências científicas sobre o neurofeedback? As evidências variam de acordo com o transtorno estudado. No caso do TDAH, há diversos estudos controlados mostrando que o neurofeedback pode melhorar atenção sustentada, controle impulsivo e autorregulação emocional, com efeitos comparáveis aos de medicamentos em alguns pacientes. Na ansiedade e depressão, os resultados são mais heterogêneos, com efeitos positivos relatados principalmente em pessoas com boa adesão ao tratamento e protocolos bem estruturados. Em insônia, o neurofeedback voltado ao treinamento de ondas teta e alfa tem mostrado resultados promissores na melhora do início e da qualidade do sono. Ainda que os dados sejam promissores, a literatura científica ressalta a importância da padronização dos protocolos, da qualificação dos profissionais envolvidos e da associação com outras estratégias terapêuticas para garantir maior eficácia. Como é feita uma sessão de neurofeedback? As sessões duram entre 30 e 60 minutos e são realizadas com o paciente sentado em frente a um monitor. Sensores são fixados no couro cabeludo para capturar a atividade elétrica cerebral. O paciente então interage com estímulos visuais e auditivos que respondem automaticamente à sua atividade cerebral. O treinamento é individualizado conforme os padrões de EEG observados e os sintomas clínicos do paciente. A frequência recomendada é de 1 a 3 vezes por semana, geralmente em ciclos de 10 a 40 sessões, dependendo da resposta clínica. Existe algum risco ou contraindicação? O neurofeedback é considerado seguro, não invasivo e bem tolerado. Os efeitos adversos são raros, mas algumas pessoas relatam leve fadiga mental, sonolência ou dor de cabeça após as primeiras sessões. Não há contraindicações absolutas, mas é fundamental que a indicação seja feita por profissionais capacitados, com avaliação clínica prévia. Perguntas frequentes (FAQ) 1. Neurofeedback substitui o uso de medicamentos? Não. Ele é um recurso complementar, que pode reduzir a necessidade de medicação em alguns casos, mas não deve ser usado como substituto sem orientação médica. 2. Quantas sessões são necessárias para ver resultado? A maioria dos estudos indica que os efeitos começam a ser percebidos entre a 10ª e a 20ª sessão, mas a resposta pode variar conforme o perfil do paciente. 3. Crianças com TDAH podem fazer neurofeedback? Sim. O neurofeedback é uma das estratégias mais estudadas para crianças com TDAH e tem sido utilizado com bons resultados em ambiente clínico. 4. Qual a diferença entre neurofeedback e biofeedback comum? O neurofeedback foca exclusivamente na atividade elétrica cerebral. Já o biofeedback pode incluir outros sinais fisiológicos, como batimento cardíaco, respiração ou temperatura corporal. 5. O efeito do neurofeedback é duradouro? Em muitos casos, sim. Há estudos que mostram manutenção dos ganhos clínicos por meses após o fim das sessões, especialmente quando o tratamento é bem conduzido e associado a outras intervenções. Conclusão O neurofeedback é uma ferramenta promissora no arsenal terapêutico da saúde mental. Sua base científica, aliada à proposta de estimular o cérebro de forma natural e personalizada, o torna uma alternativa atrativa para pacientes que buscam novas abordagens. Ainda que não seja uma solução mágica, o neurofeedback pode contribuir significativamente para o manejo de sintomas quando integrado a um plano terapêutico estruturado, individualizado e baseado em evidências.
Por Luis Guilherme Labinas 12 de janeiro de 2026
Introdução A epilepsia é um transtorno neurológico caracterizado por crises epilépticas recorrentes, causadas por uma atividade elétrica anormal no cérebro. Afeta pessoas de todas as idades e pode ter múltiplas causas, desde predisposições genéticas até sequelas de traumatismos cranianos, tumores ou infecções cerebrais. Reconhecer os sinais precoces e buscar tratamento adequado é fundamental para o controle da doença e a melhoria na qualidade de vida. O que é uma crise epiléptica? Crises epilépticas são episódios temporários de disfunção cerebral, que podem se manifestar de formas variadas: desde ausências momentâneas de consciência (crises de ausência), até movimentos involuntários e convulsões tônico-clônicas generalizadas. Nem toda crise envolve convulsões, o que pode dificultar o diagnóstico. Algumas manifestações são sutis, como sensações estranhas no estômago, movimentos repetitivos das mãos ou episódios de confusão repentina. Principais causas da epilepsia A epilepsia pode ser causada por diversas condições: Predisposição genética Traumatismo craniano Acidente vascular cerebral (AVC) Infecções como meningite e encefalite Tumores cerebrais Malformações congênitas Lesões durante o parto Em muitos casos, no entanto, não se identifica uma causa específica, sendo considerada epilepsia idiopática. Como é feito o diagnóstico? O diagnóstico é clínico e se baseia na descrição das crises, muitas vezes relatadas por familiares ou pessoas que presenciaram os episódios. Exames complementares como eletroencefalograma (EEG), ressonância magnética e tomografia computadorizada ajudam a identificar alterações no cérebro e definir o tipo de epilepsia. Tratamento e controle da epilepsia O tratamento é realizado com medicamentos anticonvulsivantes, que devem ser tomados regularmente conforme prescrição médica. Em muitos casos, o controle das crises é alcançado com apenas um medicamento. Quando isso não ocorre, podem ser necessárias associações ou avaliação para cirurgias em casos refratários. Além do uso dos remédios, é fundamental manter uma rotina regular de sono, evitar álcool e estresse excessivo, e aderir ao acompanhamento neurológico periódico. Impactos da epilepsia na vida cotidiana Apesar do preconceito ainda presente, a maioria das pessoas com epilepsia pode levar uma vida normal, estudar, trabalhar e formar família. Com informação, suporte adequado e tratamento, é possível conviver bem com a doença e reduzir os riscos de acidentes e complicações. Perguntas frequentes (FAQ) 1. Toda convulsão é epilepsia? Não. Algumas convulsões podem ocorrer em situações específicas, como febre alta em crianças (convulsão febril), uso de substâncias ou hipoglicemia. A epilepsia envolve crises recorrentes sem causas passageiras. 2. Epilepsia tem cura? Em alguns casos, sim. Algumas formas de epilepsia desaparecem com o tempo ou são curadas com cirurgia. Mas na maioria das vezes, o tratamento é para controle, e pode ser mantido por muitos anos. 3. Quem tem epilepsia pode dirigir? Sim, desde que esteja livre de crises por um período determinado por lei (geralmente um ano) e tenha liberação médica. 4. Epilepsia é uma doença mental? Não. A epilepsia é uma doença neurológica, relacionada ao funcionamento elétrico do cérebro, e não a transtornos mentais. 5. Medicamentos anticonvulsivantes causam muitos efeitos colaterais? Podem causar, principalmente no início do tratamento, como sonolência, tontura ou alterações de humor. Por isso, é importante o acompanhamento médico regular. Conclusão  A epilepsia, embora desafiadora, pode ser controlada com o tratamento adequado e o apoio certo. Diagnóstico precoce, adesão ao tratamento e informação são os pilares para uma vida com mais segurança e qualidade para quem convive com essa condição neurológica.
Por Luis Guilherme Labinas 8 de janeiro de 2026
Introdução A dor crônica é uma das queixas mais comuns em consultórios neurológicos e representa um grande desafio tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde. Ao contrário da dor aguda, que tem uma função de alerta para o organismo, a dor crônica persiste por mais de 3 meses e frequentemente perde essa função protetora, passando a impactar negativamente a qualidade de vida, o sono, o humor e a capacidade funcional da pessoa. Neste artigo, vamos entender o que caracteriza a dor crônica de origem neurológica, seus principais tipos, mecanismos envolvidos, opções de tratamento e a importância de um cuidado multidisciplinar. O que é dor crônica de origem neurológica? A dor crônica neurológica é aquela decorrente de lesões ou disfunções no sistema nervoso central ou periférico. Diferente das dores musculares ou articulares, esse tipo de dor pode ocorrer mesmo na ausência de lesões aparentes e geralmente é descrita como queimação, choques, formigamentos, dor em "fisgada" ou sensação de peso. Entre os diagnósticos mais comuns estão a neuropatia diabética, nevralgia do trigêmio, dor pós-herpética, dor central pós-AVC e dores crônicas relacionadas à esclerose múltipla ou a lesões medulares. Mecanismos que explicam a dor crônica A dor crônica neurológica envolve mecanismos complexos. Pode ocorrer por lesão direta nos nervos (como no caso da neuropatia periférica), alterações na transmissão da dor no cérebro ou medula, ou ainda por sensibilização central, quando o sistema nervoso "aprende" a manter o sinal de dor mesmo após a resolução do fator inicial. Essa perpetuação do sintoma pode levar à alteração da estrutura e função cerebral, afetando não apenas a percepção da dor, mas também o humor, a atenção e o sono. Tratamento: o que realmente funciona? O tratamento da dor crônica de origem neurológica vai muito além de analgésicos comuns. Medicamentos como antidepressivos tricíclicos, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (como a duloxetina) e anticonvulsivantes (como pregabalina e gabapentina) costumam ter mais eficácia. Em casos selecionados, bloqueios anestésicos ou neuromodulação podem ser indicados. Além disso, o acompanhamento com fisioterapia, psicoterapia e abordagens como o mindfulness pode ajudar a reduzir o impacto da dor na vida do paciente e melhorar a funcionalidade. O suporte de uma equipe multidisciplinar é essencial. FAQ: Perguntas Frequentes sobre Dor Crônica Neurológica 1. Toda dor crônica tem origem neurológica? Não. Muitas dores crônicas têm origem musculoesquelética ou inflamatória. A dor neurológica tem características específicas e precisa ser bem diferenciada. 2. Analgésicos comuns funcionam para dor crônica neurológica? Na maioria das vezes, não. O tratamento exige medicamentos com ação específica nos mecanismos de dor nervosa. 3. Existe cura para esse tipo de dor? Nem sempre é possível eliminar a dor completamente, mas é possível controlá-la e melhorar muito a qualidade de vida. 4. Esse tipo de dor pode causar depressão? Sim. A dor crônica aumenta o risco de depressão e ansiedade, e o acompanhamento emocional é parte fundamental do tratamento. 5. Quando devo procurar um neurologista? Se a dor persistir por mais de 3 meses, for muito intensa, ou vier acompanhada de formigamentos, perda de força ou outros sintomas neurológicos, é indicado buscar avaliação especializada. Conclusão  A dor crônica neurológica é um quadro complexo que exige compreensão ampla e tratamento individualizado. Com o apoio adequado e uma abordagem multidisciplinar, é possível recuperar a funcionalidade e qualidade de vida mesmo diante de um desafio persistente como esse.
Por Luis Guilherme Labinas 5 de janeiro de 2026
Introdução Tontura e vertigem são sintomas frequentes na clínica neurológica e podem afetar profundamente a qualidade de vida de quem sofre com essas queixas. Embora muitas vezes sejam utilizados como sinônimos, eles representam experiências distintas que merecem avaliação cuidadosa. Saber diferenciar as duas condições é fundamental para direcionar corretamente o diagnóstico e o tratamento. Tontura x Vertigem: Qual é a diferença? A tontura é uma sensação inespecífica de instabilidade, leveza na cabeça ou desequilíbrio. Pode ser descrita como "cabeça oca", "sensacão de desmaio iminente" ou "flutuação". Já a vertigem é uma percepção ilusória de movimento, como se o ambiente estivesse girando ou o próprio corpo estivesse em rotação. A vertigem geralmente indica comprometimento do sistema vestibular. Principais causas de tontura A tontura pode ter origem em diversas condições, incluindo: Quadro de ansiedade ou pânico Hipotensão postural (queda da pressão ao levantar) Hipoglicemia Anemia Uso de medicações (anti-hipertensivos, ansiolíticos) Arritmias cardíacas Como é um sintoma inespecífico, é fundamental considerar o contexto clínico completo. Causas comuns de vertigem A vertigem está mais frequentemente associada a disfunções no labirinto ou no nervo vestibular. As causas mais comuns incluem: Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) Doença de Ménière Neurite vestibular Labirintite Enxaqueca vestibular A avaliação clínica cuidadosa é essencial para distinguir entre essas possibilidades. Sinais de alerta: quando procurar ajuda médica? Alguns sinais indicam a necessidade de avaliação neurológica urgente: Vertigem de início abrupto e intensa Dificuldade para falar ou andar Fraqueza em um dos lados do corpo Visão dupla Dor de cabeça intensa associada Queda recente com perda de consciência Esses sintomas podem indicar um AVC ou outro comprometimento neurológico importante. Diagnóstico e exames O diagnóstico é essencialmente clínico, com base na descrição detalhada dos sintomas, duração, gatilhos e sinais associados. Exames como a audiometria, vectoeletronistagmografia e ressonância magnética podem ser solicitados quando há dúvidas ou suspeita de causas centrais. Tratamento e acompanhamento O tratamento dependerá da causa identificada. Em casos de VPPB, manobras de reposicionamento canalicular podem resolver o quadro. Na doença de Ménière, medidas dietéticas e medicamentos são indicados. Quando a vertigem é emocional, o acompanhamento com psiquiatra e psicólogo pode ser necessário. O uso de medicamentos sintomáticos deve ser restrito ao período agudo. Perguntas Frequentes (FAQ) 1. Toda vertigem é sinal de problema no labirinto? Nem sempre. Algumas vertigens têm origem central (no cérebro), como nas enxaquecas vestibulares ou em casos de AVCs. 2. É normal ter tontura ao levantar rápido? Sim, isso pode ocorrer por hipotensão postural. No entanto, se for frequente ou causar quedas, deve ser investigado. 3. Vertigem tem relação com estresse? Sim. Estresse e ansiedade podem causar ou intensificar quadros de tontura e até vertigem em algumas pessoas. 4. Qual a diferença entre labirintite e VPPB? A VPPB é causada por cristais soltos no labirinto e provoca vertigem ao mudar de posição. A labirintite geralmente envolve inflamação e pode vir acompanhada de perda auditiva e zumbido. 5. Existe prevenção para esses sintomas? Manter boa hidratação, evitar substâncias que irritem o labirinto (como cafeína e álcool) e controlar o estresse são medidas preventivas eficazes. Conclusão  Tontura e vertigem são sintomas comuns que podem ter múltiplas causas. A diferença entre eles é fundamental para entender o que está acontecendo com o corpo e buscar o tratamento adequado. Ao reconhecer sinais de alerta e procurar avaliação especializada, é possível aliviar os sintomas e prevenir complicações.
Por Luis Guilherme Labinas 1 de janeiro de 2026
Introdução Sensações como formigamento nas mãos, dormência nos pés ou aquela impressão de que “a perna adormeceu” são bastante comuns. Em muitos casos, esses sintomas não representam nenhuma ameaça e desaparecem rapidamente. No entanto, quando se tornam frequentes, prolongados ou vêm acompanhados de outros sinais, podem indicar alterações neurológicas que merecem atenção médica. Neste artigo, vamos entender as causas mais comuns dessas sensações, quando elas exigem investigação e como o acompanhamento neurológico pode fazer a diferença no diagnóstico e tratamento. O que são parestesias e por que acontecem? Formigamentos e dormências são classificados na medicina como parestesias. Elas correspondem a alterações da sensibilidade em determinada parte do corpo, podendo se manifestar como sensação de agulhadas, choques, ardência ou perda parcial da sensibilidade ao toque e à dor. Essas sensações surgem quando há algum comprometimento na transmissão dos impulsos nervosos. Isso pode ocorrer desde pressões momentâneas sobre um nervo (como quando cruzamos as pernas por muito tempo) até condições crônicas que afetam diretamente o sistema nervoso periférico ou central. Causas benignas e transitórias Nem todo formigamento significa doença. Entre as causas mais comuns e inofensivas estão: Compressão temporária de nervos por posturas inadequadas Frio intenso que reduz a circulação local Estresse ou crises de ansiedade que alteram a percepção corporal Essas situações costumam se resolver espontaneamente e não indicam um problema neurológico estrutural. Quando se preocupar com formigamentos e dormências? É fundamental buscar avaliação médica nos seguintes casos: Sintomas que persistem por dias ou semanas Sensações que se agravam progressivamente Formigamentos acompanhados de fraqueza muscular ou dificuldade de movimentação Perda de equilíbrio ou coordenação associada Dormências em regiões assimétricas ou que afetam apenas um lado do corpo Parestesias em face, língua ou couro cabeludo Esses sinais podem indicar o envolvimento de estruturas neurológicas e requerem investigação especializada. Principais causas neurológicas a serem investigadas Diversas condições neurológicas podem provocar parestesias. Algumas das mais comuns incluem: Hérnias de disco que comprimem raízes nervosas na coluna Síndrome do túnel do carpo , que afeta o nervo mediano no punho Polineuropatias periféricas , comuns em diabéticos e alcoólatras Esclerose múltipla , doença inflamatória do sistema nervoso central AVC (derrame cerebral) , especialmente quando os sintomas são súbitos e localizados Deficiências nutricionais , como falta de vitamina B12 Uso de medicações neurotóxicas ou intoxicação por metais pesados A avaliação clínica e exames complementares como eletroneuromiografia, ressonância magnética e exames laboratoriais são importantes para direcionar o diagnóstico. O papel do neurologista no diagnóstico e tratamento O neurologista é o especialista mais indicado para avaliar alterações sensoriais persistentes. Ele irá investigar a origem do sintoma, diferenciar entre causas benignas e graves, e indicar o tratamento adequado. Em alguns casos, pode ser necessário encaminhamento conjunto com outras especialidades, como endocrinologia (no caso de diabetes), ortopedia (em síndromes compressivas), ou psiquiatria (em quadros psicossomáticos). FAQ – Perguntas Frequentes Formigamento nas mãos pode ser estresse? Sim. O estresse e a ansiedade podem causar hiperventilação e alterações na percepção corporal, levando a formigamentos, especialmente em extremidades. Dormência ao acordar pode ser perigosa? Se for pontual e localizada (como em um braço apoiado), geralmente é inofensiva. Mas se persistir por vários dias ou vier com outros sintomas, deve ser investigada. Existe exame para descobrir a causa de formigamentos? Sim. O neurologista pode solicitar exames como eletroneuromiografia, ressonância magnética ou exames de sangue para investigar causas específicas. O que significa quando o formigamento é só de um lado do corpo? Isso pode indicar uma lesão central, como um AVC ou lesão em medula espinhal. Nesses casos, a avaliação deve ser imediata. Problemas na coluna causam formigamento? Sim. Compressões de raízes nervosas por hérnias de disco ou estenoses podem causar dor, formigamento e até perda de força nos membros. Conclusão  Formigamentos e dormências são sintomas que não devem ser ignorados quando se tornam persistentes, recorrentes ou acompanhados de outros sinais neurológicos. Embora muitas vezes tenham causas simples, em outros casos podem sinalizar doenças importantes que exigem diagnóstico precoce e tratamento especializado. Ao notar alterações sensoriais frequentes, o mais indicado é procurar avaliação com um neurologista de confiança para uma investigação criteriosa e segura. A saúde neurológica é essencial para a qualidade de vida e merece atenção cuidadosa.